PUBLICIDADE

Affleck quer que pessoas vejam 'Argo': "depois penso em Oscar"

9 nov 2012 08h01
| atualizado às 08h16
Publicidade
Cleide Klock
Direto de Los Angeles

A única unanimidade sobre Ben Affleck é que não há unanimidade. Para muitas pessoas, ele não convence. Para outras, é apenas o ex-namorado de uma das mulheres mais cobiçadas do planeta, Jennifer Lopez. Para a torcida feminina: lindo e inteligente. Mas há uma parcela que tem crescido muito nos últimos anos: um ator/diretor/produtor/roteirista que tem tudo para deixar sua marca na história do cinema. Para quem não tem opinião formada, é só ir ao cinema a partir dessa sexta-feira (9), quando Argo, a mais nova produção de Affleck, entra em cartaz no Brasil. O filme conta a história de como foi a invasão da Embaixada Americana em Teerã, capital do Irã, na revolução fundamentalista de 1979, e como foi o plano da CIA para trazer de volta aos Estados Unidos seis americanos que ficaram escondidos na casa do embaixador do Canadá.

Descubra o Sundaytv e tenha acesso ao melhor do cinema e da TV

Ben Affleck diz que, se tivesse que escolher, seria apenas diretor
Ben Affleck diz que, se tivesse que escolher, seria apenas diretor
Foto: Terra

Benjamin Geza Affleck, californiano criado em Massachusetts, começou a carreira de ator aos 9 anos de idade e acaba de completar 40, o mesmo número de filmes nos quais atuou, mas coleciona ainda muitos seriados. Como roteirista, levou um Oscar em 1998, por Gênio Indomável, um roteiro escrito a quatro mãos junto com seu melhor amigo de infância, Matt Damon. Já como diretor, dá para dizer que é iniciante. Começou a dirigir longas em 2007 com Medo da Verdade, quando foi agraciado com diversas indicações e prêmios de diretor revelação em festivais de cinema. Amy Ryan foi indicada ao Oscar de melhor atriz pela atuação no filme. Com Atração Perigosa (2010) não foi diferente. O filme despontou em festivais e teve Jeremy Renner indicado ao Oscar como melhor ator. Em Argo, além de ser o ator principal, o agente da inteligência americana Tony Mendez, Affleck assina direção e produção e é um dos nomes cotados para ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, Diretor e quem sabe até Melhor Ator.

Durante entrevista ao Terra, em Los Angeles, ele fez questão de começar a conversa quando descobriu que a audiência é brasileira: "eu ouvi dizer que o Brasil é um País incrível e estou com muita vontade de ir para lá. Vocês sediarão as próximas Olimpíadas, né?", disse empolgado. E em tom simpático, sorridente e tranquilo continuou a conversa, com várias barras de chocolate na mão. Leia a entrevista e entenda o porquê.

Terra: Como você acha que é o mercado brasileiro para este seu filme?
Ben Affleck: Eu espero que os brasileiros gostem do filme. É uma história real, com partes inclusive engraçadas e uma história de abrangência internacional, de como o que acontece em um país pode afetar outros. Eu não acho que é daquele tipo de filme que as pessoas assistem e falam: 'isso é um filme americano, não tem nada a ver com a gente'. Acho que é um assunto que interessa a todos e, claro, principalmente a essa parte do mundo (Oriente Médio) que ainda hoje passa por conflitos.

Por que você escolheu essa história real para transformar em filme?
Affleck: Escolhi porque eu não conseguia acreditar que um roteiro como esse, cheio de tensão, comédia, espiões da Agência de Inteligência Americana (CIA) envolvidos, era uma história real. Pensei que esse seria um grande desafio para mim como um diretor, uma história desconhecida, com muita ação, perseguição, eu poderia colocar tudo isso junto. Para a audiência é ainda mais interessante, pois é real. Vi que poderia ser algo que eu iria me orgulhar de fazer e estou realmente muito orgulhoso.

Como é para você ser diretor e ator ao mesmo tempo, dirigir você mesmo?
Affleck: Assim garanto que tenho uma boa relação com o chefe, o que é bacana (risos). Tirando a brincadeira, eu sou muito crítico com minha atuação, mas para mim, como ator, é interessante pois consigo escolher a filmagem que acredito ser a melhor no meu ponto de vista. Posso experimentar coisas diferentes e, no final, vejo qual funcionou. Assim experimento, arrisco e reviso depois. Tem que ter confiança em si mesmo.

Você conseguiria dizer o que você prefere: ser diretor ou ator?
Affleck: Eu diria que não quero viver uma vida na qual preciso fazer essa escolha, mas se tivesse que escolher acho que seria diretor. Acho que é uma carreira que tem mais longevidade e é possível fazer mais coisas diferentes. Quando você é ator, você vai sempre parecer você, é quem você é, dentro de cada história diferente, claro, mas é você quem está ali atuando sempre, da sua maneira. Como diretor, se tiver sorte, pode fazer qualquer coisa, qualquer tipo de história, tudo.

Quais são seus próximos projetos?
Affleck: Talvez ir para o Brasil (risos), sim esse é um dos meus planos. Devo atuar em alguns filmes que não esteja dirigindo também, acabei de fazer uma participação em Runner, Runner, quero fazer mais uma ou talvez duas atuações antes de dirigir o meu próximo filme.

Nos Estados Unidos, mesmo antes da estreia de Argo, a imprensa já colocava o seu filme como um dos favoritos ao Oscar. O que você acha disso?
Affleck: O filme está estreando agora na maioria dos países (em outubro estreou nos Estados Unidos), eu estou realmente mais preocupado em ver as pessoas irem ao cinema, comprarem ingressos para ver o filme do que no Oscar. Acho que as pessoas vão gostar, é uma história talvez difícil de entender, é diferente de outros filmes. Então estou dedicando meu foco e minha energia para fazer com que as pessoas saiam de casa para ver meu filme. Mais tarde, falamos sobre o Oscar.

Quais influências você teve para fazer este filme?
Affleck: A maioria das influências veio da década de 1970, de filmes como Todos os Homens do Presidente (1976), de pessoas como John Cassavetes (de O Bebê de Rosemary e um dos primeiros atores nos Estados Unidos que também se dedicou a escrever e dirigir filmes) e Alan J. Pakula, e do filme Três Dias do Condor (1975), de Sydney Pollack. Aliás, tudo que ele fez. Mas a coisa mais legal foi fazer o filme parecer esteticamente como se fosse dos anos 1970, que é algo que eu realmente gosto, e ter que convencer a audiência que o filme é daquela época. Foi um desafio interessante, pois não é usar a tecnologia da antiga, mas sim a de hoje e fazer parecer que é algo de mais de 30 anos atrás.

Você é ator, diretor, roteirista, produtor e também tem tempo para as crianças do Congo?
Affleck: Sim, eu tento. Comecei uma organização chamada Eastern Congo Initiative. A parte oriental do Congo é um lugar que tem sofrido muito, as crianças de lá sofrem demais. Não trabalhamos com pessoas de fora, apenas com quem nasceu e cresceu na comunidade. E um desses grupos está plantando cacau e nosso trabalho é fazer com que eles aumentem a qualidade desse cacau para poder fazer chocolate de boa qualidade e vender. Fizemos a conexão deles com uma fábrica de chocolate de Seattle, aqui nos Estados Unidos. Agora temos as primeiras barras de chocolate do Congo e, claro, a renda vai pra eles, ajuda a fortalecer o negócio e fazer com que essas pessoas, que estão numa situação ruim, vivam melhor.

Fonte: Especial para Terra
Publicidade