publicidade
23 de novembro de 2012 • 15h17 • atualizado em 18 de Dezembro de 2012 às 09h21

Aos 82 anos, Clint Eastwood emociona em 'Curvas da Vida'

O astro interpreta um caça-talento de beisebol
Foto: Divulgação
  • Direto de Los Angeles
 

Depois de 20 anos acostumado a ser chamado principalmente de diretor, Clint Eastwood, no auge dos seus 82 anos, aceitou ser 'apenas' ator. O resultado é o emocionante filme Curvas da Vida, que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (23). O longa, do diretor Robert Lorenz, mostra Eastwood como Gus Lobel, um veterano caça-talentos de beisebol, que não admiti que a idade está chegando e os olhos do olheiro não são mais os mesmos. Nesse enredo, que divaga sobre os obstáculos da idade e as relações em família, estão ainda Amy Adams, no papel de Mickey, a filha de Gus, e Justin Timberlake, como Johnny, um jovem que foi descoberto por Gus, mas que agora também virou caça-talentos, ou seja, na visão dele, 'rival'.

Descubra o Sundaytv e tenha acesso ao melhor do cinema e da TV

Mickey é uma advogada bem sucedida no auge da carreira e tem o trabalho acima de tudo. Gus, age da mesma forma como olheiro. Mas, a velhice chegando e a vontade de provar para si que ainda é o mesmo fazem ele assinar um novo contrato. Porém, a filha, que foi criada dentro dos campos de beisebol, descobre que o pai está com um sério problema de visão, mas mesmo assim ele pegou a estrada para uma viagem de trabalho. A partir daí o roteiro nos faz pensar sobre esse equilíbrio trabalho-família-prioridades e garante as lágrimas daqueles que se derretem com maior facilidade. "Não é um filme de beisebol, é um filme sobre relacionamentos. O esporte é apenas o pano de fundo", destaca o diretor Robert Lorenz, sabendo que beisebol não é universal, mas admitindo que Hollywood adora colocá-lo em seus enredos. "É que ele faz parte da vida dos americanos, temos muitas emoções ligadas a este esporte, nós crescemos nesses campos", explica.

Como a vida dá realmente muitas curvas, Lorenz é um velho amigo e produtor de três filmes de Eastwood. Foi ele quem produziu Menina de Ouro, vencedor de quatro estatuetas do Oscar em 2005, entre elas a de Melhor Filme e de Melhor Diretor para Eastwood. "Ele foi a minha grande escola. Eu observei o processo dele por muitos anos e acabo trabalhando baseado nessa lógica. Aprendi tudo o que sei nos sets de gravações e nas salas de edições com Clint", diz o diretor em entrevista ao Terra, em Los Angeles. "Acho que dentre as maiores lições que aprendi com ele estão ter a confiança que um diretor precisa para dizer 'tenho esta cena, podemos ir para a próxima', por exemplo, e a técnica dele de escolher atores com testes feitos em vídeo, não pessoalmente. Assim evitamos qualquer contato, aquilo de ser amigo de alguém ou parente. É uma escolha mais isenta", completa.

Lorenz estava há oito anos com o roteiro guardado na gaveta apenas esperando um momento de folga de Clint para assinar o seu primeiro filme. "Queria ter dirigido antes, mas sempre estava envolvido com algum projeto de Clint. Quando faço a produção preciso estar ligado em tudo, controlar todas as pessoas, pensar no que o diretor vai querer. É muita coisa. Dessa vez pude aproveitar os momento no set como nunca antes, acho difícil não ser diretor no próximo filme. Mas, Clint tem planos de dirigir em breve, não sei ainda como vai ser e se voltarei a ser produtor um dia", diz Lorenz.

Já Clint conta ter aproveitado as glórias de ser ator e não precisar ter que ficar preocupado com os movimentos dos 'coadjuvantes'. O último filme no qual ele somente atuou e não dirigiu foi Na Linha de Fogo, em 1993. "Fazendo Curvas da Vida pude relaxar e interpretar. Quando a gente dirige tem que sempre estar pensando já na próxima cena, dessa vez não precisei, foi revigorante", diz o veterano que traz no currículo 60 filmes como ator e 35 como diretor (na maioria deles ele também atuou). Incansável, Eastwood pensa no próximo longa-metragem que será uma nova versão de Nasce uma Estrela, clássico que já foi filmado três vezes, em 1937, 1954 e 1976. A protagonista no remake de Eastwood deveria ser a cantora Beyoncé, mas ela desistiu do projeto. A imprensa americana divulgou que Esperanza Spalding deve fazer o papel da cantora em ascensão que se apaixona por um artista em decadência, personagem que já foi de Bárbara Streisand, na versão de 76.

Clint Eastwood reúne quatro estatuetas do Oscar, duas de Melhor Filme e duas de Melhor Diretor (Menina de Ouro e Os Imperdoáveis). E apesar de ter sido indicado ao prêmio de Melhor Ator mais de uma vez, nunca foi o escolhido. Revistas americanas especializadas em cinema o colocam como um dos possíveis indicados à academia, mas com uma lista extensa de grandes concorrentes como Daniel Day-Lewis (Lincoln), John Hawkes (As Sessões), Denzel Washington (O Voo), Anthony Hopkins (Hitchcock), Brandley Cooper (Silver Lining Playbook), Ben Affleck (Argo), Jamie Foxx (Django Livre), dentre vários outros nomes da possível lista, que sai oficialmente em janeiro.

Aprendizado
Não é apenas o diretor quem chama Eastwood de escola da vida. Os atores Amy Adams e Justin Timberlake revelaram ter tido uma grande lição com o veterano cineasta. "Acho que o melhor foi ver como ele trabalha apaixonado por aquilo que faz. Essa é a melhor das lições, vê-lo na idade dele e com tanto entusiamo por aquilo que faz", destaca Timberlake. E fez ainda comparações: "ele lembra muito meu avô, que foi uma grande figura na minha vida. É como se visse John Waine andando nos nossos arredores, sempre charmoso e, na verdade, ele parece um ursinho de pelúcia, sempre caloroso e carinhoso", completa Timberlake sobre o cineasta/ator conhecido por ter fama de um durão do Velho Oeste. Sobre Johnny, seu personagem, Justin diz ser muito parecido com ele: "pedi para mudar algumas falas, para ficar mais natural para mim e o Johnny é um cara no qual me vejo em muitos aspectos, ou até alguém que poderia ser meu amigo. Não é sempre que a gente pode interpretar uma pessoa assim".

Como na melhor das lições, Clint Eastwood diz: "Nunca pensei em me aposentar, porque é sempre bom aprender coisas novas". E sobre se algum de seus históricos papéis chegou a mudar sua vida, ele ponderou: "acho que cada um mudou um pouquinho de mim e me transformou no que sou hoje".

Polêmica do Ano
Poucos dias antes de Curvas da Vida estrear nos Estados Unidos, Clint Eastwood abriu seu voto em cadeia nacional, numa apresentação na convenção do Partido Republicano. Numa 'atuação' criticada por muitas pessoas, que virou motivo de piada nos Estados Unidos, Eastwood conversou com uma cadeira vazia, como se aí estivesse um presidente Barack Obama imaginário. Ele, que já foi prefeito (pelo Partido Republicano) da cidade de Carmel, na Califórnia, apoiou o adversário de Obama, Mitt Romney, e foi um dos recordes da campanha presidencial: seu discurso teve 2,4 milhões de acessos na internet e foi o sexto vídeo mais assistido sobre as eleições. O diretor Robert Lorenz, quando questionado pelo Terra se ele havia gostado das declarações de Eastwood, apenas respondeu: "não me pergunte isso, por favor... Eu defendo o direito dele de falar qualquer coisa, vivemos numa democracia, mas espero que as pessoas não deixem de ver o filme por causa de uma posição política dele. O filme não tem nenhum posicionamento político, muito pelo contrário é uma história simples sobre a vida. E prefiro não responder se gostei", declara, sorrindo.

Terra