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 Cannes: Filme de época busca raiz da emoção e intriga
16 de maio de 2010 14h26

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  Foto: Divulgação

Cena de 'La princesse de Montpensier'
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Orlando Margarido
Direto de Cannes

Cannes assistiu a mais uma daquelas produções de época que só mesmo os franceses sabem fazer, uma característica a ser entendida para o bem e para o mal. La Princesse de Montpensier, dirigido pelo veterano Bertrand Tavernier, tem todas as qualidades da produção do gênero.

Reconstituição do período impecável, no caso a corte de Carlos 9º no ano de 1562, figurinos e fotografia idem. Até mesmo o elenco foi escolhido a dedo, num resultado que lembra "casting" de modelos, para fazer jus à trama de amor e intrigas palacianas escrita por Madame de La Fayette um século depois.

Em cena, o casamento forçado de Marie (Mélanie Thierry) com o príncipe de Montpensier (Grégoire Leprince-Ringuet), obrigando-a a abandonar sua paixão pelo nobre Henri de Guise (Gaspard Ulliel). Ainda que numa sala sem lotação completa, houve aplausos ao final da sessão.

Este é o resultado do "savoir-faire", o saber-fazer francês, como dizem por aqui. No que esse conhecimento tem de negativo está uma direção engessada, ultrapassada, que pouco tem a ver com a cinematografia respeitada de Tavernier. Na coletiva de imprensa a pouco, o diretor explicou a origem do projeto a partir do roteiro apresentado por Jean Cosmos a ele.

"Como sempre, me interesso por projetos que me levem a descobrir novas idéias, a aprender alguma coisa, e nesse caso foi saber de passagens históricas que não conhecia¿, disse Tavernier "E é uma novela de Madame de Lafayette e não um romance, o que faz diferença pois temos todos os elementos reais e históricos".

Talvez os dois pontos mais interessantes do filme sejam o uso de uma linguagem atual e a presença de um personagem mais complexo como o Conde de Chabannes, interpretado por Lambert Wilson. Sobre o primeiro, Tavernier e seu roteirista justificaram como a necessidade de tornar a história mais fluida e "buscar a raiz das emoções dos personagens, deixando os atores menos preocupados com um vocabulário de época".

Quanto ao personagem de Lambert, o diretor disse que o destacou propositadamente por vê-lo como raro naquele período. "Ele é um estudioso, um sábio e forma o príncipe e depois ensina arte e a vida para a princesa; é um tipo incomum e dúbio em seus sentimentos".

Na entrevista ainda se fez referência a uma possível questão atual de intolerância religiosa na França, relacionada ao islamismo, já que o fundo temático do filme é a guerra entre católicos a favor do Papa e os chamados huguenotes, de linha protestante e considerados heréticos. "É uma pergunta muito ampla", respondeu Tavernier. "Mas posso dizer que na França, sim, há intolerância religiosa, mas em outro contexto e sutilezas do que no momento retratado no filme."

Especial para Terra