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 Cannes: diretor do Chade encerra trilogia sobre pai e filho
16 de maio de 2010 20h18 atualizado às 20h55

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O ator Diouc Koma, o diretor Mahamat-Saleh Haroun e o ator Youssouf Djaoro Foto: Andreas Rentz /Getty Images

O ator Diouc Koma, o diretor Mahamat-Saleh Haroun e o ator Youssouf Djaoro
Foto: Andreas Rentz /Getty Images

Orlando Margarido
Direto de Cannes

Representante africano na competição, Un Homme Qui Crie (em tradução direta, Um Homem que Grita), exibido no sábado (15) à noite e foi bem recebido pelo público. Passa-se no Chade, palco de uma guerra civil, a história de um empregado de hotel, estrela da natação que agora toma conta da piscina, e seu filho. Conforme avançam os conflitos há necessidade de corte de pessoal e o "campeão", como lhe chamam os conhecidos, muda de posto e seu filho o substitui. A transferência o revolta e o velho esportista toma uma atitude drástica para o destino de sua família.

Apesar de desconhecido no Brasil, o diretor Mahamat-Saleh Haroun é um freqüentador com reconhecimento nos principais festivais internacionais. Mostrou em Cannes 2002 Abouna e ganhou o Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza pelo filme Daratt, em 2006. Esses dois títulos forma com o atual uma trilogia sobre a relação de pai e filho sob a tragédia da guerra. Neles, as figuras se alternam na tentativa de resgate do front. Desta vez, é o pai campeão que vai buscar o herdeiro num acampamento militar, depois que este é alistado à força pelo governo para lutar contra os rebeldes. Há um segredo a ser revelado entre os dois e isso mudará tudo na condução do drama.

Na entrevista com os jornalistas, Haroun disse que o tema do relacionamento entre pai e filho é recorrente porque a guerra em seu país é como uma herança. "Somente os homens vão para a guerra, muitas vezes forçados, e isso passa de uma geração para outra", explicou. Isso determina, por exemplo, que o personagem do ex-vencedor de medalha nas Olimpíadas seja poupado porque já está velho. Ele fica em casa com as mulheres, inclusive a jovem namorada do filho que aparece grávida e sem perspectiva. "Utilizei isso como símbolo da vida que recomeça, apesar da destruição".

O diretor contou ainda que em 1979 ele foi atingido por uma bala perdida e o pai teve que o transportar num pequeno veículo para ser socorrido. "Depois de um incidente desses, você vê que não é dono de seu destino". Mas o mais importante para ele no filme é a representação do que a África, aquela que se debate em guerras civis, fez de pior. "Ela rompeu a transmissão da cultura de pai para filho e isso é determinante para acabar com uma nação."

Redação Terra