
CANNES, 18 Mai 2012 (AFP) - Os grandes destaques desta sexta-feira (18),
Reality, filme do italiano Matteo Garrone (que conhecido pelo corajoso
Gomorra), e
Paradise: Love, do austríaco Ulrich Seidl, tiveram boa repercussão no terceiro dia do Festival de Cannes.
Uma sátira sobre a obsessão em celebridades, o longa de Garrone chega ao Festival sem o seu protagonista, Aniello Arena, que está na prisão. "Arena não pôde vir a Cannes porque cumpre uma pena de 20 anos", explicou o cineasta durante a coletiva de imprensa no Palácio dos Festivais.
"O ator obteve permissão para sair da prisão e rodar o filme, mas não para comparecer ao Festival de Cannes", esclareceu Matteo, que explicou porque decidiu trabalhar com um prisioneiro. "Meu pai é um crítico de teatro, e todos os verões íamos ver as peças da Companhia da Fortaleza, que trabalha com prisioneiros. Um destes presos era Aniello Arena, que começou a carreira de ator em 2001", contou o diretor, que conquistou o Prêmio do Júri em Cannes em 2008 ao mostrar um retratato da máfia napolitana.
Aniello interpreta, em Reality, um peixeiro afável que decide se inscrever para participar do reality show Big Brother. Matteo Garrone descreveu o filme como uma "comédia que se transforma em tragédia".
O outro filme exibido no terceiro dia do festival, Paradise: Love, entra na corrida da Palma de Ouro ao mesmo tempo que estreia a trilogia Paradise, do diretor austríaco Ulrich Seidl, que vai mostrar três amigas que decidem viajar para lugares diferentes à procura de uma forma de ser feliz.
O primeiro longa retrata a viagem de Theresa (Margarethe Tiesel), uma assistente social, ao Quênia para esquecer sua dura realidade e desfrutar do sexo com os jovens que frequentam as praias de Mombassa, negociando colares, passeios de barcos, entre outras atividades.
Com uma estética visual caprichada, Seidl aborda o tema sem piedade, exibindo mulheres acima do peso, com os seios caídos, em busca de belos jovens como objetos sexuais. Mas o cineasta evita um olhar moralista e não julga as personagens.
"O que me interessa é retratar a realidade. No Ocidente, ninguém olha para as mulheres de mais de 50 anos. É muito difícil para elas ter uma vida sexual. Assim a África é para elas um presente", disse o diretor austríaco.
"E para os jovens da praia, é uma maneira de sobreviver. Para eles, a maior conquista é ter uma relação de longo prazo com uma mulher branca, porque isto representa um emprego a longo prazo", concluiu na entrevista coletiva.
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