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Cineasta Werner Herzog elogia Brasil em festival: "gosto de estar aqui"

"Consigo me sentir bem próximo dos brasileiros", diz Werner Herzog

21 nov 2012 21h36
| atualizado às 21h40
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Juliana Prado
Direto do Rio Janeiro

Convidado de honra do Festival de Cinema 4 + 1, que ocorre no Rio de Janeiro até o próximo domingo (25), o cineasta alemão Werner Herzog era só elogios ao Brasil na tarde desta quarta-feira (21). Em entrevista no CCBB, onde são exibidas as sessões da mostra internacional, ele ressaltou a simpatia que tem pelos brasileiros e disse estar feliz de retornar ao País, onde gravou grande parte de um dos seus mais importantes clássicos, Fitzcarraldo (1982). "Gosto de voltar, gosto de estar aqui. Há muitas proximidades entre o Brasil e a Bavária (região da Alemanha de onde é originário). Consigo me sentir bem próximo dos brasileiros".

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Preparando-se para uma master class que vai coordenar na manhã desta quinta-feira (22) no local, Herzog, um dos grandes nomes do Novo Cinema Alemão, exaltou a importância de cineastas como Glauber Rocha e Rui Guerra para a sétima arte e disse que jamais conseguiria se enquadrar no dentro de um conceito limitador de diretor. "Eles são os articuladores da identidade cultural brasileira". Ao defender um jeito "cafajeste" de fazer cinema, ele, que se diz autodidata, ainda provocou: "a única coisa que ensino aos meus alunos é como forjar um documento, o que é essencial para um cineasta".

Profissão de risco
Para Herzog, sem o "estilo cafajeste" teria sido impossível a ele, em 1982, ter filmado a saga de Fitzcarraldo (que conta a história de um excêntrico irlandês cujo sonho é construir um teatro de ópera em plena floresta amazônica) da forma como foi. "Meu barco foi parado pelo exército no meio dos trabalhos e eles não queriam permitir que eu chegasse até as locações. Expliquei que tinha a permissão, mas que a havia esquecido em Lima (capital do Peru) e que em quatro dias eu mostraria este documento. Aí eu trouxe uma autorização de filmagens assinada pelo presidente do Peru. A assinatura era minha, claro", brincou, para então concluir: "Fitzcarraldo só foi possível graças à falsificação em massa de documentos".

O diretor alemão também se arrisca na atuação. Ele anunciou, entusiasmado, sua participação no filme Jack Reacher, no qual terá um papel pequeno, mas importante, ao lado de Tom Cruise. Segundo Herzog, o personagem será um "vilão assustador", sem qualquer caráter. O longa estreia no Brasil em janeiro de 2013. O cineasta ainda está editando dois outros longas já filmados, e tem outros projetos para o cinema, que ainda aguardam financiamento.

Brasil no auge
Menos romântico que o personagem central de Fitzcarraldo, mas não menos íntimo das cores e dos assuntos sul-americanos, Herzog foi logo brincando ao ser questionado sobre suas expectativa para o futuro do Brasil, respondendo que espera ver a Seleção de futebol do País na final da Copa do Mundo. Para ele, é um grande privilégio à nação sediar dois dos mais importantes eventos esportivos dos próximos anos - além do Mundial, em 2014, os Jogos Olímpicos, em 2016.

Conhecido pelo teor político de suas declarações, Herzog chamou os brasileiros de "sortudos", devido à escolha dos nomes Dilma Roussef e Luís Inácio Lula da Silva nas duas últimas eleições. Ele ainda avaliou que, entre os grandes países, o Brasil é o único a, de alguma forma, "estar indo bem", algo muito promissor. Até a China, segundo o cineasta, já sente um sutil recuo da atividade econômica. "Não é uma coincidência vocês terem dois presidentes maravilhosos e sérios um atrás do outro. Vocês foram muito abençoados", exaltou.

Apesar de estar consciente dos graves problemas no mundo atualmente, devido à crise econômica, o cineasta evitou um discurso pessimista em relação à Europa e das possíveis dificuldades que poderão ocorrer de se filmar por lá. "A tempestade vai passar", opinou, citando a importância simbólica e histórica da União Europeia, grupo de países que, acredita, evitarão o acontecimento de novas guerras, tão deflagradas no passado na região.

A crise cinematográfica também foi minimizada por Herzog, pois estaria ocorrendo no mundo inteiro: "o (diretor Francis Ford) Coppola, por exemplo, está sempre reclamando que a indústria é estúpida, que é difícil filmar. É assim em qualquer lugar", se justificou.

Sem medo de parecer controverso, o diretor alemão ainda defendeu, entusiasmado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que, segundo ele, tem a imagem deformada pela mídia. Mesmo reconhecendo se tratar de um governo "com punhos de ferro", ele exaltou as realizações do atual governante, como direitos sociais e trabalhistas ampliados aos russos.

Aula de cinema
Os estudantes e especialistas em audiovisual que forem até o CCBB nesta quinta-feira vão poder conferir de perto um pouco das excentricidades de Herzog. A intenção do diretor, além de ensinar as tais formas de forjar os documentos e segredos de fechaduras, é poder ser útil aos alunos. "É bom poder passar qualquer coisa a um jovem que está olhando para você", disse. A master-class começa às 11h e tem entrada gratuita - no entanto, as senhas precisam ser adquiridas uma hora antes, pois os ingressos são limitados. Haverá tradução simultânea para os participantes.

Além do encontro com o "professor Herzog", que assina clássicos como Nosferatu: O Vampiro da Noite

Cineasta de 70 anos é a grande atração do Festival 4   1, que ocorre no Rio de Janeiro
Cineasta de 70 anos é a grande atração do Festival 4 1, que ocorre no Rio de Janeiro
Foto: Divulgação

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Hércules

, o público carioca pode conferir até domingo a mostra em homenagem ao diretor. Sua programação completa e a do festival ¿ realizado simultaneamente em Madri, Rio, Bogotá, Buenos Aires e Cidade do México ¿ está no link do site do CCBB http://www.festival4mas1.com/pt/.

Fonte: Especial para Terra
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