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Com fôlego, Danielle Winits estrela comédia com Hassum

27 fev 2012
14h23
atualizado em 29/2/2012 às 11h02
André Naddeo
Direto do Rio de Janeiro

Um prédio antigo no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro, invadido por toda uma equipe de produção que transformou o local num set de filmagem. Faz muito calor, e Danielle Winits está toda perua, cheia de maquiagem, e prenha (na história).

Em 'Até que a sorte nos separe', Danielle Winits tem a vida catapultada ao mundo do luxo quando ela e o marido ganham R$ 100 milhões na loteria
Em 'Até que a sorte nos separe', Danielle Winits tem a vida catapultada ao mundo do luxo quando ela e o marido ganham R$ 100 milhões na loteria
Foto: Davi de Almeida / Divulgação

No papel de Jane no longa metragem Até Que a Sorte Nos Separe, de Roberto Santucci, o mesmo diretor de De Pernas Para o Ar, Danielle é uma mãe dondoca que, ao contrário do que a imagem poderia sugerir, preza muito a família, Danielle esbanja vitalidade ao passar o dia inteiro gravando, com rápidos intervalos para o almoço e esta entrevista, antes de seguir para o teatro e atuar no espetáculo Xanadu. O acidente com Thiago Fragoso não tirou o fôlego da atriz, definitivamente. Foram duas diárias remanejadas para a recuperação e a volta ao batente.

Ao lado de Leandro Hassum na trama, ela vive a esposa que tem a vida catapultada ao mundo do luxo, com tudo do bom e do melhor, quando os dois ganham R$ 100 milhões na loteria. "O filme gera essa questão, o que devemos ser na vida, o que é o mais importante? Será que a sorte separa alguém ou acaba unindo?", questionou a atriz.

No caso dela, a sorte por ter escapado apenas com um ferimento no rosto não deixou de a unir ainda mais ao trabalho, para que ela continuasse no teatro, no cinema e com um projeto em vista para a TV. Na ficção, na história de Tino e Jane, ambos vão à falência e retornam para a vida "de pobre" no bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio, depois de torrarem tudo. O agravante é que, diante da gravidez do terceiro filho, para evitar fortes emoções diante da recomendação médica, o marido esconde a real situação financeira da família.

"Mas a minha recuperação total será quando o Thiago Fragoso estiver totalmente recuperado", disse no camarote do Terra no Carnaval de Salvador. O roteiro de Até Que a Sorte Nos Separe é uma livre interpretação do best-seller Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, assinado por Paulo Cursino, em mais uma parceria com Santucci - os dois trabalharam juntos no filme estrelado por Ingrid Guimarães que levou três milhões de pessoas ao cinema ano passado.

"Eu deixei rolar para ver como a gente ia ser como um casal, se eu ia conseguir não rir dele diante de situações sérias. Procurei ser mais espontânea", explicou Danielle sobre sua parceria como protagonista ao lado de Leandro Hassum. Ambos estão em reta final de filmagens - os trabalhos se encerram no início de março. A estreia está prevista para outubro.

"Eu acho que eu procurei não me deter muito no livro, e sim na própria história. Você vê pedaços desses personagens em pessoas próximas, nem tanto do meu convívio, mas do meu próprio trabalho, de pessoas ao redor, do que essa cultura consumista gera nas pessoas. Todos esses devaneios e vontades", completou. Mas e a própria Danielle, como lida com as finanças?

"Já tive a minha fase de gostar de fazer umas loucuras, de viagens, enfim, mas eu sempre fui bem programada. Comecei a trabalhar muito cedo, priorizei me estabelecer, ter coisas mais sólidas, do que simplesmente optar por uma vida de que hoje eu tenho e amanhã quem sabe", sintetizou. "Quero investir nos estudos dos meus filhos, em coisas assim, sólidas. Já gostei de carros e hoje já não faço mais questão, contando que ele me leve aos lugares que eu preciso", reforçou Danielle, que acredita que a grande mensagem do filme, por mais angelical que pareça, é mesmo o amor.

"Mostra o que é realmente importante para uma família, o que ela faz ela permanecer unida, ser um time. E não ser dois times dentro de uma só família. Mesmo nos 45 do segundo tempo, no 0 a 0, estamos juntos. Morte súbita? Também, Você sai do jogo, bate no tatame, ou continua? Qual é o seu drive, o que te move? O filme mostra isso. Quem é um bom jogador fica até o final do jogo", definiu.

Danielle Winits teve ainda uma experiência nova em sua carreira agora no cinema. Além de toda a improvisação permitida pelo diretor Roberto Santucci, o que facilitou seu entrosamento com Hassum, já que "ele sabe abrir espaço para o outro, até por sua experiência em trabalhar com o Marcius Melhem, ela também experimentou cenas com até quatro câmeras simultâneas. "Dá uma agilidade no filme e uma certa tranquilidade ao ator, porque no cinema é muito artesanal, não fica tão picotado dessa forma", explicou.

Crítica ao consumismo
Roberto Santucci premeditou sua personagem ao colorir fortemente de loiro os cabelos de Winits e fazer do casal uma nau sem rumo em termos de planejamento financeiro. É uma clara crítica a quem não valoriza as pequenas coisas essenciais ¿ um exemplo disso na trama é a mansão na Barra da Tijuca, bairro emergente do Rio, que os dois compram após ganharem na loteria e, teoricamente, resolver todos os problemas da vida.

"Queria falar de consumismo, do exagero, que a casa dos ricos é um mundo de acúmulo, fazer uma crítica a isso, tentar dar uma olhar mais contemporâneo, que essas coisas não te vendem tanta felicidade quanto elas te passam", definiu Santucci.

Fonte: Terra

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