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08 de maio de 2013 • 20h01

Documentário sobre a capoeira é lançado no Rio de Janeiro

A trilha sonora do filme é de Gilberto Gil
Foto: André Muzell / AgNews
 

A contribuição da capoeira para constituição da identidade histórico-cultural brasileira é tema do documentário Paz no Mundo Camará: a Capoeira Angola e a Volta que o Mundo Dá, de Carem Abreu, lançado nesta quarta-feira (8) na sede do Arquivo Nacional, no centro do Rio de Janeiro. Com trilha sonora do cantor Gilberto Gil e cerca de 50 entrevistados, entre mestres, artistas e pesquisadores, o documentário retrata as mudanças de percepção da capoeira no país: de atividade marginal a instrumento de inclusão social, reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro.

O documentário é resultado de três anos de registros visuais da cineasta e da antropóloga Carolina Césari. Elas pesquisaram 58 locações em cinco estados (Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Alagoas) e levantaram mais de 300 documentos iconográficos do acervo do Arquivo Nacional. "A pesquisa começou no ano de 1602, com o surgimento do Quilombo dos Palmares e vai até 2011, com a morte, aos 92 anos de idade, do mestre João Pequeno de Pastinha", disse Carem.

Durante as gravações, elas identificaram quatro movimentos marcantes no processo de sedimentação da capoeira no contexto social brasileiro: origem à diáspora, que abrange as mudanças ocorridas entre os séculos 16 e 18; marginalização e perseguição, do século 18 ao século 20; folclorização e institucionalização, séculos 20 e 21; e globalização e projetos sociais, que corre a partir do século 21.

Segundo a diretora, há cem anos a capoeira foi considerada uma atividade criminosa, chegando a ser incluída no artigo 402 do Código Penal de 1890, que tratava dos vadios e capoeiras. A arte passou por diversos movimentos até ser transformada em símbolo dos movimentos de resistência sociocultural. "A capoeira é hoje um instrumento de paz no mundo", disse Carem.

Sobre o reconhecimento da importância da capoeira nas últimas décadas, a antropóloga Carolina declarou que "muitas vezes as pessoas da comunidade não valorizam seus mestres, considerando-os de pouco valor cultural". Atualmente, segundo ela, "os estrangeiros entendem mais a representatividade cultural da capoeira para a construção da identidade brasileira, e por isso decidimos fazer esse filme. A ideia é mostrar a importância dos saberes populares para ampliar o seu valor simbólico para essas pessoas".

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Agência Brasil