Cinema

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10 de junho de 2011 • 20h13

'Família Braz - Dois Tempos' reflete mudanças sociais do Brasil

Imagem de abertura do documentário 'Família Braz - Dois Tempos'
Foto: Divulgação
 

A câmera sai de Dona Maria e lentamente se desvia para a paisagem da imensa cidade de São Paulo, a gigante, vista aqui como concretos em miniatura do alto da laje onde a mesma Dona Maria mora com o marido e os filhos. Os interlocutores do Brasil tal qual não vemos na TV estão de volta à tela de cinema. Em Família Braz - Dois Tempos, os diretores Dorrit Harazim e Arthur Fontes retornam a Brasilândia, periferia paulistana, para 10 anos depois do primeiro filme, criado originalmente para um projeto de TV, bater na porta de uma família para qual uma década fez uma grande diferença.

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Vencedor da mais recente edição do Festival É Tudo Verdade, o filme é honesto em suas intenções que, vale ressaltar, não são assim tão ambiciosas. A ideia é mesmo, no ritmo e respiração calma de Dona Maria e "os seus", identificar as perspectivas de presente e futuro de cada membro dessa família.

Agora entrecortado por imagens do filme lançado em 2000, o novo documentário, filmado em 2010, tenta do modo mais simples, direto e sincero, dar conta de todas mudanças estruturais de um casal e seus quatro filhos. Na primeira imagem apresentada, a reunião familiar posada para a câmera se dá na frente dos quatro carros que agora servem ao núcleo Braz. De largada, fica clara a relação criada, pela família e pelo recorte do filme, entre o acesso aos bens de consumo e o sentimento de inserção dessas pessoas na sociedade.

Nos depoimentos desses personagens, não é difícil perceber como, além de refletir um contexto social e econômico dos anos Lula, a família Braz introjeta uma certa corporativização individual. Todos parecem ter metas, visões, missões de vida. A foto do CrossFox colada na parede, a decisão de não ter filhos, as etapas e passos necessários para ascender na carreira de enfermeiro, tudo é planejado, não há tempo e, muito menos, dinheiro a perder.

É preciso capitalizar, e a família Braz, ainda que não possa tomar para si o perfil do "brasileiro médio" tal como os diretores haviam inicialmente se proposto a achar no filme de 2000, reflete um país cuja mobilidade social é também psicológica e está diretamente ligada ao poder de consumo. A montagem de Dois Tempos é meritória quando se desvia de um fácil juízo de valor que o espectador possa criar sobre esse comportamento, e faz isso fugindo de trilhas sonoras, sobreposições óbvias e personagens periféricos cujos problemas poderiam facilmente tomar conta de todo o filme.

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