Festival de Brasília 2008

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Festival de Brasília 2008

Terça, 18 de novembro de 2008, 09h27 Atualizada às 15h08

Tendência documental e memória marcam programação

Orlando Margarido
Direto de Brasília

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro abre sua 41ª edição nesta terça-feira, às 20h30, com a exibição da cópia restaurada do filme São Bernardo, realizado por Leon Hirszman em 1972. O evento somente para convidados inclui ainda apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, sob a regência de Ira Levin.

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Mas esta ficção baseada em livro de Graciliano Ramos, um clássico nacional para muitos, surge como objeto raro no calendário da mostra. A partir desta quarta e até o dia 24, é o gênero do documentário, ou ao menos a fonte documental, que impera na mostra competitiva aberta ao público no Cine Brasília. Entre o seis títulos selecionados, apenas Siri-Ará, do cearense Rosemberg Cariry, escapa formalmente da gênese documental que se expande pela produção nacional. Em tom de fábula, narra o retorno de um mestiço brasileiro ao sertão nordestino em busca em suas origens e de seu povo.

Os demais competidores reforçam a tendência. São eles: O Milagre de Santa Luzia, de Sergio Roizenblit, registro da tradição da música de sanfona no país por Dominguinhos, um de seus principais representantes; À Margem do Lixo, de Evaldo Mocarzel, sobre os catadores de papel de São Paulo; Ñande Guarani - Nós Guarani, de André Luis da Cunha, voltado ao povo indígena, Tudo Isto me Parece um Sonho, de Geraldo Sarno, revisão da figura histórica do general pernambucano José Inácio de Abreu e Lima, que lutou para libertar a América Latina do julgo espanhol; e, por fim, FilmeFobia, de Kiko Goifman, um compêndio das fobias humanas.

Esses dois últimos títulos representam uma exceção na mostra, por mesclar os gêneros e utilizar atores, em outra opção que vem se tornando habitual. Como sempre, a seleção principal se fecha no registro 35 milímetros, já que o festival não aceita projetos no formato digital para a competição de longas-metragens.

O júri encarregado da escolha dos premiados, que além do troféu Candango receberão prêmios em dinheiro que somados em todas as categorias ultrapassam R$ 500 mil, é formado pelo jornalista Artur Xexéo, pelos cineastas Carlos Reichenbach, Murilo Salles, Sérgio Machado e Vladimir Carvalho, além das atrizes Maria Flor e Sandra Corveloni, esta melhor intérprete no último Festival de Cannes por sua interpretação em Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas.

A programação competitiva prossegue com mais doze títulos, entre médias e curtas-metragens em 35 milímetros, e outros 34 filmes na bitola 16 milímetros. São categorias em que o formato digital é aceito. Outra tradição é a Mostra Brasília, dedicada apenas a realizadores brasilienses. Além de André Luis da Cunha, fotógrafo de cinema e diretor que estréia no longa-metragem, comparecem na seleção Núcia Santana (Para Ficar de Boa), André Luiz Oliveira (Sagrado Segredo) e o premiado José Eduardo Belmonte (Se Nada Mais Der Certo).

O mesmo recorte local vale engloba curtas e médias-metragens. Ainda, uma provável participação de sucesso cabe ao filme A Gruta, de Filipe Gontijo, outra produção brasiliense. Trata-se de um projeto interativo, com duração de cinco a 40 minutos, no qual o público poderá influir na história através de um controle remoto e chegar a um dos onze finais disponíveis.

Entre as exibições especiais, volta à tela do Festival de Brasília o clássico do gênero terrir O Segredo da Múmia (1982), de Ivan Cardoso. O cineasta carioca foi um dos fundadores da tendência satírica que une comédia, sexo e terror, numa mescla de extrema singularidade, como lembra a estudiosa de cinema Myrna Silveira Brandão. Cardoso ganhou o prêmio de direção pelo filme, que fez cerca de um milhão de espectadores.

No próximo domingo, às 10h, o filme será mote do encontro do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, no Hotel Nacional. Para o gênero infantil, o filme lembrado é O Cavalinho Azul, curiosa investida de Eduardo Escorel (O Tempo e o Lugar) nesse universo de tão poucos representantes no país.

Completa esse bom ciclo da memória cinematográfica brasileira um drama urbano que merece retornar ao centro do debate. Estréia do veterano catarinense Sylvio Back, que depois enveredaria pelo documentário, Lance Maior (1968) encerra o festival em exibição logo depois da entrega dos Candangos, o troféu de Brasília, aos melhores da edição.

Na tela, os novatos Regina Duarte, Reginaldo Faria, Irene Stefânia e Isabel Ribeiro comprometidos com suas ambições amorosas e sonhos juvenis. As quatro décadas do filme também serão lembradas com o lançamento do roteiro, previsto para o próximo domingo, às 17h30, também no Hotel Nacional.

Especial para Terra

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