
Atualizada às 15h08 Orlando Margarido
Direto de Brasília
Por várias faces, o nome do cineasta Nelson Pereira dos Santos está associado ao Festival de Brasília. Foi nesta vitrine do cinema brasileiro que ele lançou muitas de seus filmes e foi premiado, como aconteceu com Tenda dos Milagres (1977), que lhe rendeu o Candango de melhor filme e direção.
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Depois de pavimentar o caminho para o Cinema Novo com clássicos como Rio, 40 Graus (1955) e Vidas Secas (1963), fez-se sempre presente em movimentos de retomada da produção nacional, a exemplo de A Terceira Margem do Rio (1994), exibido em primeira mão na mostra brasiliense.
Nelson já era próximo do festival quando este ainda se chamava Semana do Cinema Brasileiro, criação do crítico e então professor da Universidade de Brasília Paulo Emílio Salles Gomes, que definiu de vez a vocação de um formato competitivo. Um de seus mais recentes trabalhos chama-se Brasília 18% (2006). Nada mais justo, portanto, que ele seja o grande homenageado desta 41ª edição, tanto por seus 80 anos de vida como pelos quase 60 anos de carreira, formalmente comemorados em 2009.
A programação é intensa para esse padrinho de muitas gerações do cinema nacional, paulistano de nascimento e carioca de adoção, homem afável, de fala mansa e sempre acessível. O próprio diretor do festival, Fernando Adolfo, coordenou a agenda, ao lado do professor da UnB Marcos de Souza Mendes. "Nelson é um dos nomes que dá consolidação histórica ao festival", afirma Adolfo. Na próxima sexta-feira, às 15h, o Hotel Nacional sedia a abertura do calendário com a orquestração original de Radamés Gnatalli para Rio, 40 Graus e a música "A Voz do Morro", de Zé Ketti, a quem Nelson dedicou uma pequena jóia documental. Haverá ainda a exibição de Fala, Brasília, curta-metragem de 1966. Em seguida acontecem três palestras sobre carreira, inclusive a de professor, Cinema Novo e a produção atual e suas ligações com a obra do cineasta. Entre as presenças, sua atriz Maria Ribeiro, a Sinhá Vitória em Vidas Secas, e também intérprete em O Amuleto de Ogum (1974) e A Terceira Margem do Rio.
Nos dois dias seguintes, um ciclo de documentários e making of aponta aspectos de seu cinema em exibições no saguão do hotel. E, finalmente, na noite de encerramento do dia 25, o realizador sobe ao palco do Cine Brasília para ganhar seu Candango pela influente carreira.
Redação Terra
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