
Atualizada às 15h06 Orlando Margarido
Direto de Brasília
Foi uma noite emocionante para a família e os colaboradores do cineasta Leon Hirszman (1938-1987), mas também para a platéia que lotou a sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro na noite desta terça-feira. Para marcar a abertura do 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a obra-prima do cineasta carioca, São Bernardo, foi exibida em cópia restaurada pelo processo digital, logo depois da apresentação da Orquestra Sinfônica do teatro.
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Poucas pessoas deixaram a sala de 1,3 mil lugares, um sinal de que o drama exigente e rigoroso, baseado em Graciliano Ramos, mantém sua força na história do rude fazendeiro Paulo Honório e seu ciúme que leva à loucura sua doce esposa Madalena.
Estavam presentes na solenidade os filhos do cineasta, João Pedro e Maria Hirszman, os atores Othon Bastos (intérprete de Paulo Honório) e Nildo Parente e o fotógrafo do filme Lauro Escorel. O crítico, estudioso e atual secretário municipal da Cultura Carlos Augusto Calil, também curador do projeto de restauro da obra de Hirszman, chegou atrasado e não subiu ao palco para a apresentação de praxe.
A filha Maria, visivelmente emocionada, leu um texto de sua autoria agradecendo a organização do festival e saudando a memória do pai. "Ele foi um idealista", lembrou. "O cinema era sua trincheira para uma luta pela dignidade do ser humano, dos que estão à margem da sociedade". Lembrou ainda que o filme foi realizado em 1971, época difícil e de censura. "Como disse Calil, Leon fez da limitação um estilo".
Na saída da sessão, também impressionado com o filme, o cantor Ney Matogrosso falou ao Terra. "Nunca tinha visto o filme, mas sabia que o personagem era um arquétipo da dureza e do autoritarismo; o que mais me chamou a atenção, mais que a música (de Caetano Veloso), foi a fotografia, que ajuda a criar a atmosfera ainda mais sufocante para os personagens".
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