Festival de Brasília 2008

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Festival de Brasília 2008

Quinta, 20 de novembro de 2008, 18h33 Atualizada às 15h03

"Vou ter que me superar", diz atriz premiada em Cannes

Orlando Margarido
Direto de Brasília

A atriz Sandra Corveloni encara como um amadurecimento artístico a tarefa que o Festival de Brasília lhe incumbiu nesta 41ª edição. Célebre depois de ter recebido a Palma de Ouro de melhor intérprete por sua atuação no filme Linha de Passe, ela integra o júri da competição oficial de longas-metragens em 35 milímetros.

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"Nos últimos tempos tenho deixado alguns complexos de lado e tentado me superar em várias coisas", disse em entrevista ao Terra. ¿Agora vou ter que me superar também como jurada; é uma responsabilidade e tanto".

É a primeira vez que ela participa de um júri voltado ao cinema, integrado ainda pela atriz Maria Flor e os cineastas Carlos Reichenbach, Murilo Salles, Sérgio Machado e Vladimir Carvalho, além do jornalista Artur Xexéo. No teatro, sua origem profissional e onde atua constantemente com o Grupo Tapa, Sandra já interpretou várias vezes esse papel em festivais da área. "Mas claro que é outro universo, o cinema tem sua especificidade". Na entrevista a seguir, a atriz fala, entre outros temas, sobre a nova experiência.

Como reagiu ao receber o convite para ser jurada para cinema e quais suas expectativas no Festival?
A primeira coisa que me ocorreu é se poderia dar conta, mas isso sempre acontece comigo quando aparece um desafio novo, diferente. Tenho deixado alguns complexos de lado depois que trabalhos e oportunidades foram aparecendo e tentado me superar. Ser jurada é mais uma dessas oportunidades e representa uma etapa de amadurecimento artístico, como foi participar de um filme como Linha de Passe, de uma montagem francesa, ir a Paris, que nunca tinha estado, ou a um festival de cinema na Grécia. Por outro lado, quero aprender também, ouvir quem tem mais experiência, e tentar acertar. Afinal, é uma grande responsabilidade e os jurados têm de ter cuidado, pois estamos avaliando de forma definitiva um trabalho e isso aqui em Brasília inclui também dinheiro. No teatro já participei de vários júris, mas é diferente o universo, o cinema tem suas especificidades. Enquanto numa peça é possível mudar algo, ir aperfeiçoando o trabalho dos atores, por exemplo, no cinema está tudo lá registrado para sempre. É em cima desse resultado que se define tudo.

É uma seleção específica este ano, com a presença marcante de documentários.
Acho que o grande número de documentários representa a tendência atual do Brasil que quer se conhecer, se redescobrir, depois que a era Collor sepultou tudo na área artística e em outras áreas. Por outro lado, a falta de ficção limita um pouco a diversidade e a concorrência, e quem sofre é justamente a classe de atores da qual faço parte. Mas acho que se deve respeitar a decisão da seleção, assim como as categorias de ator e atriz devem permanecer apenas para ficção e não se pensar em premiar participantes de documentários, como já foi sugerido em conversas neste festival.

Você e a também atriz Maria Flor são as duas únicas mulheres em um júri dominado por homens. Acredita que poderá haver um olhar diferenciado de vocês duas em relação aos filmes?
wSim, eu e a Maria Flor já estamos muito grudadas! Acho que é natural que isso aconteça, pois temos a nossa maneira de ver as coisas, um olhar próximo que nos une. A Maria tem mais experiência com cinema, já trabalhou em vários filmes, conhece televisão, enquanto eu venho de teatro e tenho só umas experiências no vídeo como apresentadora e teleteatro. Vou aprender muito com ela. Mas também tenho boas referências desses diretores, conheço o Sérgio (Machado), e não tenho dúvida que nos daremos bem. Para mim, que apenas tenho uma experiência de julgar filmes como espectadora, um filme pega ou não pega. Como dizia Grotowski (Jerzy Grotowski, renomado diretor teatral polonês), ou ele funciona ou não funciona.

Seis meses depois da Palma de Ouro em Cannes, como você avalia o impacto do prêmio na sua carreira e o que mudou?
Mudou tudo, e muito. Não só nos trabalhos que foram surgindo, mas principalmente no meu modo de encarar as coisas, eu sempre fui meio bicho do mato. O prêmio me abriu muitas portas. Eu não estaria no júri de Brasília se não fosse isso. Logo depois de Cannes, recebi o convite de uma companhia teatral da França para fazer um espetáculo lá e também aqui no Brasil (O Retorno ao Deserto, montagem da Compagnie Dramatique Parnas), e fui morar um mês em Paris, onde nunca tinha estado. Foi uma experiência e tanto conviver no dia a dia com aquela cidade maravilhosa. E então apareceu um convite de última hora para representar Linha de Passe no Festival de Tessalônica, na Grécia, e tive de me organizar sozinha, pois nem o Walter Salles e a Daniela Thomas (diretores do filme) estavam lá. Acho que isso é o início de um percurso de teatro e cinema que sempre irá correr junto agora. Além de continuar na minha colaboração com o Eduardo Tolentino (diretor do Grupo Tapa), estou lendo roteiros de diretores estreantes e vou ler um trecho do novo livro de José Saramago na visita que ele fará em breve a São Paulo.

Especial para Terra

Aline Arruda/Divulgação
Sandra Corveloni ganhou a Palma de Ouro de melhor atriz
Sandra Corveloni ganhou a Palma de Ouro de melhor atriz

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