
Atualizada às 16h57 Orlando Margarido
Direto de Brasília
Foi a discussão mais interessante surgida até agora na agenda de Brasília. Festival também é, ou deveria ser, um momento para se debater sobre cinema, além, claro, de exibir filmes. E ao seguir esse princípio, o crítico Jean-Claude Bernardet introduziu o verbo pensar na programação de forma radical.
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Ele foi coerente com seus estudos já publicados ao sugerir que em breve será necessário acabar com as divisões clássicas entre cinema documental e ficcional e a partir daí considerar novas categorias ainda não totalmente claras. "É necessário um esforço para descobrir novas formas de narrativa na atual sociedade", disse. "Essa nova narrativa pode vir acompanhada ou não de metalinguagem, mas também esta precisa ser superada".
O depoimento do crítico aconteceu devido ao debate em torno de FilmeFobia, um desses "objetos fílmicos não identificados", como bem descreveu um crítico presente na platéia. O filme de Kiko Goifman, concorrente da competição oficial da mostra e protagonizado por Bernardet, é um caso sem dúvida para polêmicas sem fim.
O sumário de fobias humanas não se configura como nenhum gênero explícito atual, nem documentário, nem ficção e, para Bernardet, muito menos um híbrido dos dois. "O filme está erroneamente sendo referido como uma mistura de documental e ficção, mas não é; o que ele é, assim como outros casos atuais, a exemplo de Santiago e Jogo de Cena, nós ainda estamos buscando uma denominação".
Ele, contudo, arrisca uma indicação. "Assim como Big Brother, um trabalho fundamental para se refletir sobre essas novas questões, FilmeFobia trabalha nessa mesma esfera contemporânea da ¿espetacularização¿ da pessoa, da perda da subjetividade e da intimidade do indivíduo".
Apesar da alentada reflexão, Bernardet quebrou ele mesmo a seriedade do debate ao responder uma pergunta sobre o fato de se ver na tela (seu papel é o de um diretor de um filme sobre fobias). "Tenho rejeição à minha própria imagem e voz; criei até uma fobia de me ver", brincou. "Mas no fim achei que eu estava ótimo, ou ao menos as pessoas me convenceram disso".
Especial para Terra
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Aline Arruda/Divulgação
Jean-Claude Bernardet
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