
Atualizada às 16h54 Orlando Margarido
Direto de Brasília
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Naquele momento, Maria trabalhava como faturista no no laboratório Líder Cinematográfica (hoje Labo Cine) e, claro, não sabia que este seria o filme seminal do Cinema Novo. "Eu tinha salário fixo, filha para sustentar e não ia trocar a segurança por um projeto que não tinha dinheiro; aliás desde Atlântida, da chanchada, que cinema nunca deu dinheiro, era só fracasso", complementou a atriz, divertindo a platéia.
Seu depoimento ocorreu durante a homenagem esta tarde aos 80 anos de idade de Nelson e quase 60 de carreira. Foi o cineasta que descobriu a atriz e abriu-lhe outras oportunidades no cinema. Maria atuou em mais dois filmes de Nelson (O Amuleto de Ogun e A Terceira Margem do Rio), além de trabalhar para Cacá Diegues, Carlos Alberto Prates Correia e Paulo Thiago. Há três anos, participou da novela Prova de Amor. "Eu segurava as dívidas do Nelson quanto à compra de filmes lá no laboratório, até um pouco desonestamente, favorecendo-o; mas no fim valeu a pena".
Maria lembra que o primeiro a lhe dizer que Nelson queria que ela trabalhasse no filme foi o cineasta Glauber Rocha, baiano como ela. "Eu não acreditei, achei que fosse piada, até porque naquele momento eu sabia que ele iria filmar Mandacaru Vermelho, pois choveu muito no sertão e não era possível fazer Vidas Secas".
Mas o convite veio e ela só atendeu ao pedido de Nelson quando este apelou à Herbert Richers, um dos grandes nomes da produção nacional e produtor de Vidas Secas, e este aos proprietários da Líder, que juntos finalmente convenceram Maria. "Daí a única coisa que pedi foi uma mala para colocar minhas trouxas, nem isso eu tinha; mas eles não tinham dinheiro também nem para isso".
Maria Ribeiro foi e fez de Sinhá Vitória, a esquálida retirante e mulher de Fabiano, um dos personagens mais emblemáticos do cinema brasileiro, com o conhecido sucesso que reverberou no mundo a partir do Festival de Cannes.
Especial para Terra
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Junior Aragão/Divulgação
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