
Orlando Margarido
Direto de Brasília
Jurada da competição oficial de longas-metragens, a atriz Maria Flor acredita que compensa a pouca idade para a tarefa com um currículo respeitável de seis atuações no cinema. A mais recente já exibida no circuito foi em Chega de Saudade, de Laís Bodansky.
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"Quando fui convidada pela organização do festival, a primeira coisa que pensei é que eu era muito jovem para essa responsabilidade", diz a intérprete carioca de 25 anos, com rostinho de 18. "Tenho só seis longas-metragens na carreira, mas acho que me chamaram justamente por eu ter pouca experiência; e aceitei porque é um júri de cinema, minha paixão e área que tenho maior afinidade".
Afinidade que começou a nascer dentro de casa. Maria Flor é filha do técnico de som Renato Calaça, que entre trabalhos para publicidade e televisão, se dedica também ao cinema. Integrou a equipe de 2 Filhos de Francisco e recentemente de Podecrer!, com Maria Flor em um dos papéis principais.
"Foi o primeiro trabalho em que estivemos próximos, uma sensação ao mesmo tempo estranha e muito boa". Sua mãe, Márcia Leite, já escreveu para televisão em séries como Radical Chique e programas como Video Show. Mas faz questão de ressaltar que os dois nunca facilitaram sua entrada no meio artístico. "Eu estudei interpretação e fiz testes como qualquer pessoa".
Sem os sobrenomes que poderiam lhe abrir portas - "as pessoas foram me chamando só de Maria Flor e eu me acostumei" - ela fez pontas na série Malhação e, em 2004, estreou no cinema em Cazuza - O Tempo Não Pára, de Walter Carvalho e Sandra Werneck. Garante que, a partir daí, o trabalho em filmes de diretoras é mera coincidência. "Em Cazuza fui dirigida mais pelo Walter, e posso dizer que as mulheres cineastas são até mais duras e exigentes que os homens".
Na seqüência, ela participou de Quase Dois Irmãos, de Lúcia Murat, que considera o de maior exigência na preparação, e O Diabo a Quatro, de Alice de Andrade, alinhando o primeiro papel de destaque na televisão com a personagem Tina de Cabocla. Sua participação na novela atraiu convites como o do diretor Jorge Durán para atuar no filme Proibido Proibir (2007).
Apesar da preferência pelo cinema, seus dois trabalhos mais recentes contemplam mais uma vez a televisão. Ela acaba de concluir a comédia Som e Fúria, adaptação nacional de Fernando Meirelles para a série canadense Slings and Arrows. "É um cineasta extremamente generoso, que deixa abertura no set para os atores trazerem sugestões", diz. Em breve, Maria Flor embala num especial de fim de ano da TV Globo no papel protagonista de Aline, do diretor Maurício Farias. "Ela é uma garota muito livre, descolada e bem resolvida com dois namorados; é um piloto do que pode vir a ser uma série."
Assim como a colega de júri, a atriz Sandra Corveloni, a atriz quer aprender e trocar idéias com os integrantes mais experientes da banca formada pelos cineastas Carlos Reichenbach, Murilo Salles, Sérgio Machado e Vladimir Carvalho, além do jornalista Artur Xexéo. Quanto a sua maneira de apreciar os filmes, ela é direta. "Tem que ter de alguma maneira uma troca e uma identificação; mas acima de tudo, tem que ter uma boa história".
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