Festival de Brasília 2008

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Festival de Brasília 2008

Domingo, 23 de novembro de 2008, 00h40

Documentário convencional sobre índios guarani agrada

Orlando Margarido
Direto de Brasília

Mesmo com uma longa sucessão de depoimentos, que mantinha uma cadência por vezes aborrecida, e o uso de legendas para a língua original indígena, Ñande Guarani (Nós Guarani) não afugentou todo o público do Cine Brasília nesta quarta (e chuvosa) noite de competição oficial pelo Candango. Houve uma pequena evasão da sala, mas a maior parte da platéia permaneceu até o final do documentário sobre o povo guarani e sua luta para se manter em suas terras. Os espectadores ovacionaram e acompanharam com palmas a trilha sonora dos créditos deste que é o primeiro longa-metragem de André Luís da Cunha, conhecido curta-metragista do Distrito Federal.

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Esse apelo local sempre fala alto por aqui e basta ver a comoção quando as equipes formadas por profissionais de Brasília sobem ao palco para a tradicional apresentação antes do programa começar. Cunha não se fez de rogado e aproveitou para contextualizar seu filme, um projeto para o qual foi convidado pelo produtor Bento Viana. Ao lado de lideranças do povo guarani, lembrou dos problemas que envolvem a tribo quanto à legalização e devolução das terras para esse povo indígena em várias partes do Brasil. Afinal, é em Brasília que tais questões se decidem e onde já está marcada uma audiência pública.

O filme também da conta do recado, ao percorrer seis mil km por Estados como São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, além de países como Argentina e Paraguai, mas dá um passo para trás no formato convencional escolhido. Isto num momento em que o festival discute novas narrativas de representação e as fronteiras cada vez menos claras entre documentário e ficção.

Mais inventivo e dedicado ao seu material é o curta-metragem Minami em Close-up ¿ A Boca em Revista, de Thiago Mendonça, representante paulistano. O documentário revisita o período do cinema da Boca do Lixo, ponto da produção marginal nos anos 70 em São Paulo, através do monossilábico personagem Minami Keizi, que no período editou a revista Cinema em Close-up, baseada em fotos de atrizes da Boca em poses provocativas. Mas o melhor está nos depoimentos que Mendonça colhe de diretores como Cláudio Cunha.

O outro concorrente da noite foi o simpático Ana Beatriz, de Clarissa Cardoso, outro trabalho do Distrito Federal a se beneficiar da torcida local. Com uma narrativa em formato peculiar ao contar o drama de Paulo Roberto perto de conhecer a garota do título, mas mostrando apenas a protagonista, o curta é uma historinha de amor juvenil adaptada de um conto do ator Juliano Cazarré (A Festa da Menina Morta).

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