
Atualizada às 15h26 Orlando Margarido
Direto de Brasília
O diretor André Luís da Cunha disse que tem a intenção de gerar uma discussão política com seu documentário Ñande Guarani (Nós Guarani). "É um filme feito para mostrar a cultura guarani, mas não é um trabalho etnográfico", apontou em debate neste domingo em Brasília. A fita sobre a situação do povo guarani e a luta para reaver suas terras, concorre na mostra competitiva oficial e foi exibido ontem à noite com calorosa acolhida do público.
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Embora com um material precioso recolhido em aldeias de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, além da Argentina e Paraguai, o formato escolhido para exibi-lo se mostra por vezes árduo devido aos longos depoimentos. Cunha reconhece que para atingir o resultado desejado optou por esse caminho convencional, que inclui também opiniões de antropólogos e historiadores.
Muitas vezes as declarações dos indígenas e convidados se sucedem sem pausa. "Há um momento em que acontecem cinco falas em seguida, mas tenho consciência que foi a melhor opção, mesmo que seja difícil para o espectador". Ele lembra que a primeira exibição pública neste sábado foi um teste significativo no qual, acredita, passou com louvor.
Para André, os depoimentos permitem a demonstração de méritos dos guaranis, do domínio de sua língua - o filme usa legendas na quase totalidade da projeção - à condição de preservação de sua cultura e habilidade em discutir seus problemas.
"Nos últimos anos, o que chegou até nós é que os guaranis estavam perdendo seus hábitos, abandonando seus costumes pela aculturação; o que eu descobri com o filme não é nada disso, eles continuam a manter suas tradições, mas tem de lutar por elas todo o tempo".
Outra questão surgida no debate é a intenção apresentada pelo diretor no Cine Brasília e reiterada neste domingo de que o filme seja uma mensagem sobre a situação dos guaranis ao grande público. Questionou-se se essa deve ser uma proposta do cinema, de um filme.
"Eu entendo essa preocupação, mas todos nós sabemos que a mídia, por exemplo, não dá conta de mostrar a imagem verdadeira, real de problemas como os do guaranis, movida muitas vezes por interesses econômicos, diversos; por isso acho que um cineasta pode sim enviar uma mensagem", disse André.
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