Festival de Brasília 2008

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Festival de Brasília 2008

Segunda, 24 de novembro de 2008, 08h12

Público aplaude "pegada" de documentário sobre catadores

Orlando Margarido
Direto de Brasília

Pegada virou a expressão preferida da platéia do Cine Brasília graças a um simpático e articulado líder dos catadores de papel de São Paulo que foi a estrela no palco e na tela nesta noite de domingo. Desde o momento em que foi convidado a apresentar o filme À Margem do Lixo pelo diretor Evaldo Mocarzel, ele fez suas declarações sempre utilizando a gíria. E assim continuou em seus depoimentos no documentário sobre o cotidiano dos homens e mulheres que recolhem material das ruas da capital e o levam para reciclagem. O filme faz parte de uma tetralogia de Mocarzel, que antes realizou À Margem da Imagem e À Margem do Concreto, este melhor filme do Júri Popular de Brasília em 2006.

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No geral, o diretor mantém seu formato documental já estabelecido com o acompanhamento do trabalho dos personagens e seus depoimentos para a câmera. Mas insere um elemento novo e interessante ao apresentar para os próprios catadores uma pirmeira montagem do filme, ao mesmo tempo em que eles comentam o que vêem na tela.

O documentário cresce quando o cineasta investe nas reuniões dos catadores em torno de suas condições de trabalho, parcerias e como garantir o futuro. Nesses momentos, a platéia se expressava com aplausos e apoio aos personagens. Não é um documentário transformador em sua linguagem, mas atinge sua intenção e contempla com interesse e dignidade seu objeto de estudo.

A seleção de curtas-metragens, dupla como sempre, foi desequilibrada e de resultado um tanto frio. O brasiliense A Minha Maneira de Estar Sozinho, de Gustavo Galvão, com a atriz Silvia Lourenço no elenco, poderia ser uma interessante representação de uma parcela da juventude, como quer o diretor, não fosse uma trama um tanto enigmática e pretensiosa. O representante carioca Na Madrugada, de Duda Gorter, apresenta com singeleza a redescoberta da sexualidade de uma mulher madura no interesse por outra mulher. Poderia dar mais voltagem a esse encontro, mas o filme prefere a delicadeza, o que não é um demérito. Melhor que conte com o talento de duas grandes atrizes, Ana Lúcia Torre e Denise Weinberg, ambas ligadas ao grupo teatral Tapa.

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