
Atualizada às 17h46 Orlando Margarido
Direto de Berlim
Tanto para o público presente ontem à noite na première internacional do longa-metragem brasileiro Vingança, como para os distribuidores internacionais interessados em comprá-lo, a reação não poderia ser melhor. A avaliação é do diretor gaúcho Paulo Pons, que falou com o Terra sobre sua primeira experiência num festival do porte da Berlinale.
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"Muita gente veio falar comigo sobre o fato de ser meu primeiro filme, questão que no Brasil não aconteceu e que nem me chamava tanto a atenção", contou. "Aqui há um outro tipo de abordagem para esse fato, a platéia e os profissionais do mercado (de cinema) ficam interessados em saber como viabilizei meu primeiro filme, uma produção independente, e como trabalharei nos próximos".
Com a sala do Cinemaxx 7, um dos complexos onde acontece a Berlinale, quase lotada, a reação do público, segundo Pons, foi diferente em algumas passagens em relação à platéia brasileira. "Foi sutil, mas deu para perceber que as pessoas riam ou se emocionavam em momentos que no Brasil não acontecia". Logo depois da projeção, o diretor, o ator protagonista Erom Cordeiro e parte da equipe subiram ao palco para uma rápida conversa com os espectadores.
Muitas perguntas se referiam à abordagem da cultura gaúcha e seus costumes, a exemplo da questão da honra que é o motor da trama. Pons explicou que acredita haver ainda essa preocupação no interior do Rio Grande do Sul, onde nasceu, e também na região do Nordeste, e que lançou mão desse tema para mostra que, na verdade, "um crime não deve corroborar um outro crime, ou seja, a vingança". "No Brasil, essa questão é mais habitual, os brasileiros sabem que isso pode existir; aqui (em Berlim), senti que as pessoas estranham a atitude do personagem; perguntam por que não chamaram a polícia após o estupro da personagem".
É com uma jovem estuprada, num vilarejo gaúcho, que o filme começa. A família pede então ao noivo dela (Cordeiro) que vá atrás do estuprador, um jovem da classe média alta carioca, no Rio de Janeiro. O filme trabalha com esses fatores em tom de suspense para o público, um gênero raro no cinema brasileiro. "Recebi elogios sobre a narrativa", comemora Pons. O filme custou R$ 80 mil, um orçamento baixo que o diretor diz ter interessado mais no Brasil do que aqui. "Mas claro que com a crise financeira mundial é sempre um fator que agrada fazer um filme com um custo menor".
De hoje até sexta-feira, Vingança terá uma sessão por dia para um teste mais amplo. Por enquanto, Pons adianta que alguns festivais internacionais já fizeram o convidaram para integrar a seleção, mas que a carreira do filme agora depende dos compradores no exterior. "Estamos avaliando tudo isso com muito cuidado".
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