59º Festival de Berlim

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59º Festival de Berlim

Sábado, 14 de fevereiro de 2009, 16h34 Atualizada às 16h36

Diretor lamenta críticas por gostar de Hollywood

Orlando Margarido
Direto de Berlim

Para quem ainda tinha dúvidas que Bertrand Tavernier é o mais americano dos diretores franceses, In the Electric Mist, seu mais recente filme exibido na Berlinale, confirma a sintonia do realizador muito mais com a cartilha de Hollywood do que com o pensamento cinematográfico europeu.

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"Adoro a fórmula do filme americano da história bem contada, com começo, meio e fim; enfim, um filme que se fecha, explica tudo ao espectador", disse ao Terra em meio a uma entrevista com um grupo de jornalistas. "Nada de final aberto, para o espectador pensar em casa; comigo tudo tem que se resolver na tela, dentro da sala de cinema, e essa foi uma fórmula que só Hollywood soube armar com perfeição, com encanto".

Ninguém pense, no entanto, que a mão de Tavernier não faz a diferença na fórmula hollywoodiana ao adaptar o romance de James Lee Burke que se passa numa Louisianna antes de ser devastada pelo Katrina, mas que o cineasta fez questão de atualizá-la para pós-furacão. É uma história, na síntese da trama, sobre assassinato em série, mas fundamentalmente sobre o quanto a moral e a justiça são relativas.

Tavernier é o que se pode chamar de um amigo americano. Desde os tempos da Nouvelle Vague, nos anos 60, e seus integrantes com quem, aliás, teve brigas homéricas, ele é um defensor do cinema americano. O grande cinema, claro, de John Ford, por exemplo. Colaborou com a mítica revista Cahiers de Cinema e escreveu livros sobre a história da cinematografia de língua inglesa e seus protagonistas. "O mais recente que reeditei na França pesa oito quilos e tem 500 fotos".

Nesta entrevista, contou também que foi assessor de imprensa nos anos 70 de muitos diretores dos Estados Unidos. "Mas não só, gostava e trabalhei também com ingleses como Michael Powell". Ele atribui a essa aproximação a possibilidade de sempre acompanhar cineastas e atores americanos que podem ter influência sobre seu trabalho. Foi acompanhando os últimos trabalhos de Tommy Lee Jones, tanto de ator como diretor, que ele decidiu chamá-lo para seu protagonista em In The Electric Mist.

"Ele é o rosto que eu precisava para o personagem, um tipo marcado pela vida, cansado, que não tem muito a perder com as atitudes e escolhas erradas que faz às vezes".

As publicações americanas presentes em Berlim, como a Screen International e a Hollywood Reporter, foram as menos animadas com o resultado da fita. "Eu sempre fui criticado por gostar da narrativa hollywoodiana, tanto na Europa, como nos Estados Unidos; mas continuarei no meu caminho apesar dessas opiniões".

Especial para Terra

Getty Images
Tavernier diz que é criticado por gostar da narrativa hollywoodiana
Tavernier diz que é criticado por gostar da narrativa hollywoodiana

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