
Atualizada às 08h25 Orlando Margarido
Direto de Berlim
Foi uma festa merecida para os dois títulos da América Latina presentes na competição da Berlinale o que se viu na premiação deste sábado. O peruano La Teta Asustada, grande vencedor do Urso de Ouro, e o uruguaio Gigante, reconhecido em três categorias, são bons filmes e ainda carregam aquele elemento diferencial que cai bem a um festival, especialmente europeu, seja pelo tema, seja pela simplicidade com que este é desenvolvido e ainda pelo condimento mágico que tanto encanta por aqui.
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Mas talvez possa se falar em exagero na atitude do júri de conceder prêmios extras ao que já estava definido como digno de ser destacado. É o caso de Gigante, que levou um prêmio de melhor primeiro longa-metragem - com o peso adicional de 50 mil euros - o troféu Alfred Bauer para um trabalho inovador (dividido com Tatarak, de Andrzej Wajda) e, ainda, um Urso de Prata especial do júri. A rigor, cada distinção cabe bem ao drama romântico do diretor Adrián Biniez, que, aliás, é argentino.
Mas visto no conjunto replica uma mensagem que já havia sido entendida desde o início da cerimônia. Com o troféu de longa de estréia, o júri apontou o que significava um bom cinema de primeira viagem. Nesse sentido, as escolhas principais dos jurados tiveram coerência, pois La Teta Asustada é o segundo filme de Llosa (o primeiro é Madeinusa).
Guarda, portanto, o frescor de nova produção. A escolha mostrou-se ainda afinada com a crítica, que também preferiu o longa de Llosa, numa confirmação de que nesta edição da Berlinale falou-se a mesma língua. Mas essa soma de prêmios para dois títulos têm seus problemas e um deles foi deixar concorrentes bons, talvez até melhores do que os ganhadores efetivos, fora da lista dos vencedores. O exemplo mais evidente é Storm, produção em língua inglesa do alemão Hans-Christian Schmid. Ao menos a lembrança da ótima interpretação da atriz Kerry Fox já seria mais do que justa, numa edição que contou com bons duelos femininos. O prêmio no caso foi para a atriz austríaca Birgit Minichmayr, em Alle Anderen, numa situação que repete em parte a junção de troféus para uma mesma produção, já que a diretora da fita Maren Ade foi agraciada com o grande prêmio do júri.
Numa edição preocupada com questões como política internacional e globalização, não deixa de ser estranho que seja reconhecido com o Urso de Prata um drama de discussão de relacionamento entre casal e não o longa de Schmid, por exemplo, sobre o julgamento de um criminoso de guerra.
As demais categorias de certa maneira fazem a reparação da possível injustiça. The Messenger, o drama de Oren Moverman envolvendo a questão do Iraque por um ângulo mais individual, teria força para conquistar mais que o Urso de Prata de melhor roteiro (do próprio diretor e de Alessandro Camon), ainda que este seja um destaque merecido. Da mesma forma, o júri se mostrou razoável com suas convicções ao reconhecer o ator do Mali Sotigui Kouyate como o melhor por London River. Não só pelo personagem, mas Kouyate se mostrou também um conversador cativante e de oratória afiada que fizeram o folclore desta edição da Berlinale.
Especial para Terra
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Getty Images
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