Cena de 'Norwegian Wood', do diretor Tran Anh Hung
Foto: Divulgação
- Orlando Margarido
- Direto de Veneza
O diretor Tran Anh Hung leu o romance Norwegian Wood em 1994, sete anos depois de lançado pelo japonês Haruki Murakami. Desde então, o vietnamita radicado em Paris ficou impressionado pela história do trio de jovens no Japão dos anos 1960 e 70 e sua iniciação no amor, no sexo, e como diz o realizador, na vida. Quando decidiu finalmente adaptar o livro para as telas, enfrentou longas negociações com o autor, que resistiu por Hung não ser japonês. Murakami aceitou, mas com a condição das filmagens acontecerem no Japão em com atores locais. "Mesmo Tony Leung (astro chinês), ele vetou", disse o cineasta em entrevista coletiva nesta manhã em Veneza.
Norwegian Wood manteve seu nome original na edição brasileira do romance e também no filme de Hung, apresentado ontem à noite como o segundo título da competição oficial. Foi recebido com frieza pelos jornalistas, que acusaram principalmente a redundância do sofrimento que move os personagens. Mas é difícil imaginar que o autor vá reclamar da falta de fidelidade do diretor. São quase duas horas e meia de duração, a maior parte delas dedicada a mostrar a inviabilidade do romance do jovem casal central.
Logo no início o triângulo de desfaz quando um dos rapazes se mata. A garota Naoko (Rinko Kikuchi, indicada ao Oscar pelo papel em Babel), sua namorada, se culpará sempre pela tragédia e não conseguirá firmar por completo o amor pelo terceiro jovem, Watanabe (Kenichi Matsuyama), epicentro do drama. Mas nessa jornada haverá momentos de afeto e descoberta da sexualidade para ambos.
Foi nesse universo que o diretor encontrou o ponto de interesse da história e apelo para o filme. "Há uma extraordinária intimidade entre esses jovens vítimas de uma tragédia no passado e que agora procuram se reencontrar com a felicidade", disse Hung. Para representar o sentimento, ele opta pelo aprendizado sexual, mas principalmente por longos closes nos rostos de seus bonitos atores. "Há ecos de conhecimento entre ambos que só poderiam ser passados ao espectador dessa forma, por isso minha câmera se detém muito no olhar dos personagens".
Outra característica são as constantes e belas paisagens que acompanham os jovens, especialmente a floresta onde Naoko irá se refugiar sob os cuidados de uma musicista. A música também é representativa do período em que se passa a história, inclusive dando um tom ocidental com canções dos Beatles, cujos direitos de uso levaram um ano em negociações. "A música completa a atmosfera nostálgica que queria para um filme que fala, afinal, de perdas; não só de um amor, de uma vida, mas de toda uma época de descobertas importantes que foram os anos 60", apontou o diretor.
- Especial para Terra




