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 Filme pró-Palestina aquece debate político em Veneza
02 de setembro de 2010 11h05 atualizado às 11h06

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Cena de 'Miral', com Freida Pinto
Foto: Divulgação

Orlando Margarido
Direto de Veneza

Veneza apresentou na manhã desta quinta-feira (2) o primeiro filme da competição oficial que teria fôlego para uma discussão mais acirrada. Em Miral, o diretor americano Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta) aborda o conflito entre palestinos e israelenses, tema sempre passível de protestos e debates. Mas sua abordagem é pela via indireta de uma história real envolvendo a personagem Hind Husseini, uma palestina que devotou sua vida a cuidar de órfãos do conflito e para eles criou uma escola a partir dos anos 50.

Ao dramatizar a trajetória a partir da visão de uma garota que permaneceu sob os cuidados de Husseini, o diretor arrefece um pouco a polêmica do assunto. Na coletiva no início da tarde, esperava-se controvérsias, mas elas foram apenas diplomáticas.

Isso muito pelo fato de que Schnabel deixou claro de início que não pretendia fazer de seu filme um manifesto político. Embora seja uma obra facilmente tomada como pró-Palestina, o diretor apresenta ao final da fita um texto em que diz esperar que ambos os povos encontre a paz. "Eu não sou um político e não quero meu filme visto como tal", disse. "Sou antes de tudo um judeu, de filho de mãe judia, que viu numa história de dedicação o material certo para se dedicar; e quem melhor que um judeu morando na América para fazer isso de modo que o mundo assista e aprenda mais sobre a Palestina?".

A origem do projeto talvez confirme as palavras de Schnabel. O filme é baseado no livro de Rula Jebreal, a garota, vivida por Freida Pinto (a mocinha de Quem Quer Ser um Milionário?) que foi levada pelo pai ao orfanato de Hind Husseini (interpretada por Hiam Abbass, dos filmes Lemon Tree e Aproximação, ambos centrados na questão política de Israel x Palestina) depois da morte da mãe e ao sair integrou-se às forças de luta pela liberdade palestina. Com a intensificação do cerco por Israel, ela consegue uma bolsa de estudos na Itália, onde se torna jornalista. No livro, ela se chama Miral.

Presente na coletiva, Rula lembrou sua benfeitora, morta em 1994. "Hind é daquelas figuras que surgem raramente para mostrar que os povos não deveriam se firmar por fronteiras, e sim pelo coração e boa vontade".

Miral não causou comoção na plateia de jornalistas ao ser exibido e muito se falou de seu contexto de boas intenções, levado com algum apelo emotivo e melodramático. Não se pode negar, no entanto, a intenção concretizada por Schnabel de levar ao grande público uma visão menos estereotipada da Palestina marcada pelo Hamas, o grupo radical de resistência aos israelenses.

Especial para Terra