Cena de 'La Solitudine dei Numeri Primi', com Isabella Rossellini, que faz a mãe de Mattia
Foto: Divulgação
- Orlando Margarido
- Direto de Veneza
A 67ª edição do Festival de Veneza entra na reta final, com apenas mais três filmes a serem exibidos em concurso e as salas abertas à imprensa começando a se esvaziar. Daqui a pouco acontece a primeira sessão de Road to Nowhere, do veterano diretor americano Monte Hellman. À noite é a vez do filme do alemão Tom Tykwer, Drei, e nessa sexta-feira (10) pela manhã teremos Barney's Version, de Richard J. Lewis, outro concorrente dos Estados Unidos, encerra o programa competitivo.
Desse bloco de encerramento faz parte La Solitudine dei Numeri Primi, ou a solidão dos números primos, último título italiano exibido nesta manhã. O interessante drama de Saverio Constanzo, que acompanha a vida de dois amigos de escola da infância à maturidade não empolgou nem mesmo os jornalistas da casa.
Houve discreta divisão entre aplausos e algumas vaias. Mas há consistência no drama de Alice e Mattia, interpretados por Alba Rohrwacher e Luca Marinelli quando adultos, ela uma fotógrafa tímida que tem um defeito de perna, ele um pesquisador científico arredio e fechado ao mundo.
A condição de desajustados no meio social em que vivem faz com que os dois se aproximem na escola e cresçam juntos. Enquanto Alice procura atender à exigência do pai pela perfeição, Mattia tenta se manter distante dos pais em função de um acontecimento relacionada a irmã gêmea na infância.
Os traumas de ambos aos poucos são desvendados em paralelo pelo diretor, que trata melhor o apelo dramático da história na fase da infância e da adolescência de seus protagonistas. Seu principal trunfo, no entanto, está numa representação da diferença num momento da trajetória dos personagens que acaba por determinar toda a vida deles. É uma situação universal, que justamente, tem a possibilidade de um bom diálogo com as plateias.
- Especial para Terra




