| Divulgação |
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| Cena do filme |
As Quatro Plumas é uma fraca rendição à velha questão sobre a honra perdida e a busca por redenção na África durante o auge da colonização britânica.
Dirigido pelo indiano Shekhar Kapur, indicado ao Oscar em 1998 por Elizabeth,/i>, As Quatro Plumas não dá aos personagens múltiplas dimensões e não justifica a razão de ser desse retrabalho em cima de uma trama já desgastada.
O romance de A.E.W. Mason, escrito enquanto o império inglês ainda era vigoroso, foi filmado diversas vezes: a primeira em 1915, a segunda em 1929 pelos cineastas Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack e a mais famosa é a de 1939, que foi dirigida por Zoltan Korda.
Em parte pela iminência de guerra na Inglaterra, a última versão foi recheada de sentimentos patrióticos, o que parece esquisito hoje em dia. Com a realidade política atual, qualquer história sobre um exército ocidental rendendo uma força militar do Terceiro Mundo deve ser pensada com muito cuidado, particularmente se for de muçulmanos, como é caso aqui.
Mas enquanto negligencia a xenofobia e oferece momentos tépidos de dúvida em relação aos valores, os empreendimentos e o derramamento de sangue da Grã-Bretanha colonialista, essa nova película, escrita por Michael Schiffer e Hossein Amini, não oferece nenhum ponto de vista intrigante do conflito Ocidente - Oriente.
O filme se passa em 1884, um ano antes da queda do Gen. Gordon, e aborda uma classe de jovens oficiais que, imediatamente após a graduação, são mandados para o Sudão para ajudar as forças britânicas que estão cercadas por "fanáticos muçulmanos".
Comprometido com a pequena e vaidosa Ethne (Kate Hudson), Harry Feversham (Heath Ledger) fica tão apavorado com a idéia de lutar num lugar tão distante que toma uma atitude impensável para o filho de um general: abandona seu posto. Com isso, ele recebe de três penas de três colegas do regimento, representando sua covardia, e uma quarta de sua noiva.
Essa abertura monótona não melhora com mudança de cenário para o deserto africano. E quando se tem a impressão de que alguma emoção vai acontecer com a aproximação do regimento a Korti - um forte inglês que se acredita estar sob ataque -- o amigo mais próximo de Harry, Jack Durrance (Wes Bentley), é mandado de volta para dar suporte a Gordon em Londres, onde também espera se estabelecer como um substituto de Harry no coração da bela Ethne.
Harry, neste meio tempo, está no Sudão tentando se passar não muito eloquentemente por um árabe. Ajudando-o em sua jornada em busca de redenção está um homem negro, Abou Fatma (Djimon Hounsou), que tira Harry de várias enrascadas, mas é punido ao tentar avisar o parceiro inglês de que Korti havia sido capturado por nativos.
A melhor cena de batalha do filme, na qual guerreiros africanos surpreendem os ingleses por todos os lados, tem alguns bons momentos, mas não é encenada com muita clareza e coerência.
Os heroísmos parecem vazios. Sem as convicções do Império para guiá-los, os ingleses parecem estar perdendo tempo e também não há um personagem para representar o lado muçulmano. E como a bravura da era colonialista já foi vista várias vezes, deveria haver algo mais para prender os espectadores.
E provavelmente o filme não tocará ninguém, já que não há elementos para se desenvolver qualquer espécie de simpatia ou apelo.
Reuters