| Divulgação |
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| Cena do filme |
O terceiro e último filme da saga de Neo, The Matrix Revolutions, tem um mote, uma frase que é repetida por vários personagens: tudo que tem um início tem um fim. Ainda bem, já que nem o mais ardoroso dos fãs conseguiria suportar outra diluição das idéias que ajudaram a fazer do primeiro filme da série um sucesso.
Esse processo de "reaquecimento", iniciado em The Matrix Reloaded, foi levado adiante no terceiro filme. Os conceitos apresentados na primeira obra, como as discussões sobre realidade versus ilusão, se tornaram notas de rodapé da história, a saber: a resolução do conflito entre máquinas e humanos.
Boa parte das quase duas horas e dez minutos de filme são dedicadas à preparação para a batalha pela cidade de Zion e a seu desenrolar. Não sobra espaço nem tempo para sutilezas: há o comandante durão, o novato medroso que vai se tornar um herói, a esposa dedicada que aguarda o marido voltar da batalha¿ Os clichês são tantos e os personagens tão estereotipados que é possível adivinhar diálogos inteiros antes deles acontecerem.
E não são apenas os filmes de guerra que são "homenageados". A cena da luta entre Neo e o agente Smith começa como um bom faroeste, com direito a close dos pés de um dos duelistas com o adversário ao fundo. Felizmente os irmãos Wachowski pouparam o público da tomada em que a câmera enquadra o herói sob as pernas do vilão.
Até mesmo os efeitos especiais parecem requentados. Inovadores no primeiro filme, no terceiro são dejá vu e acabam por se tornar caricaturais. A única novidade - que, para fazer justiça, deve ter exigido horas de trabalho dos programadores - é a manipulação da chuva na cena da luta final. Resta a boa e velha computação gráfica aliada à animação de maquetes para as cenas de batalha e para o cenário da Cidade das Máquinas, onde Neo acredita que está seu destino.
The Matrix Revolutions é a comprovação de que a manipulação de clichês tem limites. Funciona na dose certa que, se não é fácil de determinar, de qualquer maneira tem de ser pequena. O exagero quase sempre é fatal.
Redação Terra / Márcio Alexandre