| Divulgação |
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| Jeremy Sumpter como Peter Pan |
O novo Peter Pan é repleto de elaborados figurinos de época, perucas bombásticas, adereços maravilhosos, trilha sonora sinfônica, efeitos especiais espantosos e uma fotografia brilhante. Apesar disso, o filme não chega a decolar de fato.
O espectador fica torcendo para que Peter e seu bando de meninos consigam reencontrar a magia de uma das histórias infantis mais encantadoras já concebidas, história essa que mexe com a imaginação do público há quase cem anos.
Mas o filme é prejudicado pela qualidade desigual dos atores, a dependência excessiva nos valores de produção e a incerteza quanto ao verdadeiro risco das aventuras das crianças.
As crianças menores, especialmente as que nunca antes ouviram falar em Peter Pan, devem se divertir com esse conto de fadas lindamente produzido, com piratas, índios e o bando dos Meninos Perdidos. Mas dificilmente o público teen e adulto sentirá o mesmo prazer em assistir a Peter Pan.
O primeiro filme Peter Pan foi feito, ao que se sabe, em 1924, duas décadas após a estréia da peça de J.M. Barrie e quatro anos antes de ele publicar a história como livro. Na versão atual, o roteirista e diretor P.J. Hogan se mantém fiel ao texto de Barrie.
Atores e atrizes
Vários membros do elenco têm atuações convincentes. Jason Isaacs aparece um pouco uniforme demais como Mr. Darling, o desajeitado pai das crianças, mas confere a seu outro papel, o do capitão Gancho, um ar de vilania viril e um jeitão sexy.
Rachel Hurd-Wood, estreando como atriz profissional na pele de Wendy Darling, encanta e seduz a platéia, captando o momento exato de transição de sua personagem entre a infância e o início da condição de mulher.
No papel de Peter, o garoto que nunca vira adulto, Jeremy Sumpter faz proezas físicas com vigor de garoto e também se sai bem nos momentos ternos em que revela sua solidão e vulnerabilidade.
Mas há três atrizes de alta qualidade que são pura e simplesmente desperdiçadas.
O caso pior é o da estrela francesa Ludivine Sagnier, uma escolha péssima para fazer a ciumenta fada Sininho.
Olivia Williams, como Mrs. Darling, faz pouco mais do que dormir diante de uma janela aberta, aguardando o retorno de seus filhos supostamente sequestrados.
E Lynn Redgrave carrega demais no papel recém-criado de Tia Millicent, uma personagem que não se encaixa bem na história.
De pés pregados no chão
Como no livro, Wendy está contando histórias à noite para seus dois irmãos, John (Harry Newell) e Michael (Freddie Popplewell), quando a grande aventura começa.
Peter Pan, que fica ouvindo as histórias do lado de fora da janela do quarto, convence as três crianças a saírem de suas camas e voar por cima de Londres, até a Terra do Nunca.
Lá, eles encontram o bando dos Meninos Perdidos, uma curiosa tribo de índios, sereias perigosas e, é claro, o bando de piratas sinistros liderado pelo capitão Gancho.
Entretanto, pelo fato de visar sempre o público infantil, Hogan e seus colaboradores deixaram de incluir no filme a sofisticação, o humor espirituoso e até mesmo a bizarrice pura e simples da obra original - afinal, no livro, a babá das crianças Darling é uma cachorra!
E, tampouco, tentam transpor para termos cinematográficos todo o vocabulário pouco conhecido e os apartes inteligentes que J.M. Barrie fez para seus leitores adultos.
As aventuras em si pecam pela ausência de emoção e risco. Peter Pan - que, afinal, ganhou o nome de um deus grego - deveria ser uma figura subversiva, que perturba a ordem vigente, mas Hogan e companhia limitada se mantêm demasiado próximos da versão da história criada pela Disney.
Há algumas novidades divertidas, como o fato de o capitão Gancho ter não um só gancho letal no lugar da mão que perdeu, mas toda uma gama de instrumentos cortantes que pode usar segundo o que a ocasião pede.
Mas a determinação dos criadores do filme em não deixar nada a cargo da imaginação do espectador faz com que este Peter Pan não chegue a alçar vôo, permanecendo de pés pregados ao chão.
Reuters