| Divulgação |
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| Cena do filme |
O cineasta Jim Sheridan (Meu Pé Esquerdo, Em Nome do Pai) se baseia em sua própria vida para contar a história de um irlandês que vai a Nova York para tentar realizar seu sonho.
O filme possui um roteiro bem escrito, atuações belíssimas e é repleto de elementos comoventes e divertidos, mas que em momento algum correm o risco de despencar para o sentimentalismo.
Esse tipo de malabarismo emocional exige calibragem perfeita, e Sheridan e seu elenco excepcional dão conta do recado.
Johnny (Paddy Considine), um ator desempregado, deixa a Irlanda para trás e chega a Nova York através da fronteira canadense, numa van caindo aos pedaços. Ele leva junto sua mulher, Sarah (Samantha Morton), e suas duas filhas pequenas, Christy e Ariel (Sarah e Emma Bolger, irmãs na vida real).
A esperança deles é que também tenham deixado para trás a dor pela morte de seu filho, que morreu vítima de um tumor cerebral.
Virtualmente sem um centavo no bolso, a família, que está nos Estados Unidos ilegalmente, vai morar num edifício decadente que não ficaria deslocado num filme de terror gótico, habitado por um grupo assustador de viciados em drogas, vagabundos e moradores pura e simplesmente malucos.
Outro residente do prédio é um artista atormentado (Djimon Hounsou) que acaba mostrando não ser tão temível quanto aparenta. Ele acaba por fazer amizade com as duas filhas de Johnny.
Mas Sarah e, mais ainda, Johnny, ainda não conseguiram aceitar a morte do filho. Ele começa a ter dificuldades nos testes para trabalhos de ator, sem falar nos problemas em comunicar-se com sua própria família.
Inspirado nos incidentes que cercaram a chegada de sua própria família em Nova York, o roteiro, escrito por Sheridan e suas duas filhas, é repleto de detalhes profundamente convincentes que não poderiam ter sido inventados.
Conhecido por ser um "diretor de atores", Sheridan reuniu um elenco de primeira linha para fazer os papéis de seus alter egos.
O simpático Paddy Considine (A Festa Nunca Termina, A Room for Romeo Brass) e a sempre notável Samantha Morton (indicada ao Oscar 2004 de melhor atriz) fazem um casal convincente formado por duas pessoas que querem curar sua dor emocional.
Nos papéis de suas filhas, Sarah e Emmy Bolger, de 11 e 7 anos, demonstram um tipo de sensibilidade e naturalidade que é raro em atores ou atrizes mirins.
Completa o conjunto Djimon Hounsou (Gladiador, Amistad), no papel do vizinho da família, também indicado ao Oscar 2004 (ator coadjuvante).
Nova York tampouco se sai mal no filme, graças ao trabalho de câmera do diretor de fotografia Declan Quinn e ao design de produção de Mark Geraghty.
Eles conseguem captar a dureza, a sujeira e o dinamismo inconfundível que continuam a fazer da cidade uma atração quase mítica para imigrantes de todo o mundo.
Redação Terra