| Divulgação |
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| Cena do filme |
Como um bife suculento servido a um homem que sobrevive à contragosto à base de verduras e tofu, O Júri será devorado com prazer pelos fãs do cinema dramático.
O gênero melodrama, antigamente um dos fortes do cinema, foi em grande medida deixado de lado em favor de ação, efeitos especiais e sensacionalismo.
Mas O Júri, dirigido por Gary Fleder, tem chances de reviver o cinema de personalidades fortes e intensas que se chocam em conflitos mortais, onde há muita coisa em jogo e onde reviravoltas inesperadas da trama alimentam um clima de tensão crescente.
Há 75 personagens com falas no filme, mas os mais importantes são os que são representados por John Cusack, Gene Hackman, Dustin Hoffman, Rachel Weisz e Bruce Davison, todos os quais deixam claro que sentiram grande prazer em representar papéis tão fortes e moralmente ambivalentes.
Em filmes anteriores sobre tribunais e justiça, as tramas geralmente focalizaram o teatro do tribunal, um mistério policial, a relação entre advogados e clientes ou até mesmo, como no memorável Doze Homens e Uma Sentença, o próprio júri.
O Júri, baseado no best-seller de 1996 do advogado e autor John Grisham, faz tudo isso, e mais. O roteiro é assinado por quatro pessoas, o que normalmente seria indicativo de confusão, mas o que emerge neste filme é um relato enxuto, cheio de suspense.
Existem na profissão legal pessoas conhecidas como "consultores de júri" que têm conhecimentos psicológicos suficientes para assessorar os advogados no momento da seleção dos jurados.
Grisham leva essa idéia vários passos adiante ao imaginar um superdetetive implacável e amoral chamado Rankin Fitch (Gene Hackman), que, com a ajuda de uma equipe de assessores técnicos, fuça na vida privada dos jurados.
Ele tentar detectar não apenas quais jurados potenciais têm mais probabilidade de votar a favor de um cliente, mas também para descobrir fatos suficientes que desabonam os jurados para que, se for preciso, possa pressioná-los, garantindo o veredito desejado.
Como diz Fitch na frase que é sua marca registrada, "um julgamento é algo importante demais para ser deixado a cargo de um júri".
Depois de montar um negócio lucrativo defendendo os fabricantes de armas de fogo em processos movidos por vítimas de violência armada em todo o país, Fitch encontra um adversário inesperado num processo cível movido em Nova Orleans contra um poderoso consórcio de fabricantes de armas.
Um jurado, Nick Easter (John Cusack), entra em contato com ele através de uma mulher misteriosa, Marlee (Rachel Weisz), para dizer que controla o júri e que este pode ser comprado. Não apenas isso: ele contata o advogado do querelante, o cavalheiresco Wendall Rohr (Dustin Hoffman), com a mesma proposta. O preço pedido é 10 milhões de dólares.
No jogo de gato e rato que se segue, não fica claro, num primeiro momento, quem pode ser considerado moralmente superior. E as motivações individuais dos personagens tampouco ficam claras.
Fitch precisa de provas da capacidade de Nick de controlar o júri - e as consegue. Mas Fitch joga duro, mostrando que não se furta a chantagear e intimidar os jurados colegas de Nitk.
Enquanto isso, Wendall luta com sua consciência. Ele acredita sinceramente na causa que defende e talvez seja possível que seu senso ético seja flexível o suficiente para levá-lo a desembolsar a quantia pedida.
Assim, o filme parte em várias direções diferentes. Nick precisa conquistar a confiança de seus colegas jurados e, ao mesmo tempo, neutralizar aqueles que não estão de seu lado.
Um assessor de Fitch parte para Nova Orleans para investigar o misterioso jurado (Nick). O juiz Harkin (Bruce McGill) tenta decifrar o que acontece com o júri incomum.
Wendall e o advogado de defesa dos réus, Durwood Cable (Bruce Davison), se enfrentam em cenas de tribunal carregadas de emoção, enquanto que Marlee e Fitch buscam maneiras de tirar vantagem um do outro.
No clímax - escrito, editado e dirigido com maestria -, todas as subtramas se unem. Há tempo até mesmo para um confronto entre duas lendas do cinema, Gene Hackman e Dustin Hoffman - o primeiro que eles já tiveram na tela -, numa cena comparável à do confronto entre Al Pacino e Robert De Niro em Fogo Conta Fogo.
Reuters