| Divulgação |
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| Cena do filme |
Joe Dante, diretor de Gremlins e Matinee - Uma Sessão Muito Louca entre vários outros, conseguiu reproduzir em um filme de uma hora e meia o mesmo ritmo frenético dos desenhos animados de sete minutos da época de ouro da Warner Bros., entre o final dos anos 40 e o início dos 60. E isso com atores de carne e osso.
É claro que Brendan Fraser (de A Múmia), Jenna Elfman (mais conhecida por aqui pela personagem Dharma, do seriado Dharma and Greg) e o veterano comediante Steve Martin não estão sós no filme. Pernalonga, Patolino e quase todos os personagens que foram protagonistas de algum curta de animação da Warner têm maior ou menor participação - e os dois primeiros "brigam" constantemente pela atenção da platéia. Frajola, Piu-Piu, Eufrasino, Hortelino e muitos outros estão no filme. Não se preocupe, seu personagem predileto aparece, nem que seja numa ponta...
E a interação entre os atores e os desenhos não chega a ser o ponto alto da tecnologia empregada no filme. Esse posto é assumido pelos efeitos digitais aplicados aos cenários e locações, com destaque para a "reconstrução" do Louvre e para a "re-urbanização" de Paris.
Assim como aconteceu em Space Jam - O Jogo do Século, de 1996, os produtores não se preocuparam em modelar os personagens de animação em três dimensões. O diretor de fotografia Dean Cundey afirma que tentou "deliberadamente não criar a ilusão de tridimensionalidade, porque os personagens de Looney Tunes que conhecemos e amamos sempre foram meio planos. Eles surgiram daquele estilo gráfico da Warner Bros. das décadas de 40 e 50".
Essa bidimensionalidade não torna mais fácil a interação entre os desenhos e os personagens de carne e osso. Nesse quesito, Uma Cilada para Roger Rabbit, de 1988, ainda é o melhor exemplo disponível. Mas isso não chega a prejudicar Looney Tunes, pois seu maior trunfo está no ritmo.
Com a ajuda do roteirista Larry Doyle, ex-redator de Os Simpsons, e da equipe de montadores - quatro pessoas só nos créditos -, Dante conseguiu imprimir ao filme uma velocidade normalmente encontrada apenas em curtas de animação. O público mais jovem, acostumado a esse tipo de ritmo, pode se identificar com o filme sem ligar para a trama absurda - que, nesse caso, gira em torno de um diamante azul que transforma pessoas em macacos.
Mas o público adulto também encontra motivos para se divertir, seja com as citações de clássicos do cinema como Psicose e Planeta Proibido, seja com as dezenas de piadas espalhadas por placas, cartazes e capas de livros, ao estilo dos desenhos da Warner. Os fãs mais velhos podem apreciar as referências ao desenhista de cenários Maurice Noble, ao compositor de trilhas sonoras Carl Stalling e, é claro, ao diretor Chuck Jones, ganhador de quatro Oscar e o primeiro a colocar Pernalonga e Patolino num mesmo filme, Rabbit Fire, de 1951.
Mas quem quiser ouvir a voz do genial dublador Mel Blanc, que deu vida a praticamente todos os personagens dos desenhos clássicos da Warner, terá de procurar salas que exibam cópias legendadas do filme - a esmagadora maioria dos cinemas exibirá as cópias dubladas.
A boa notícia é que a Warner Bros. Pictures vai lançar desenhos inéditos dos Looney Tunes para o cinema, que serão exibidos antes de longas-metragens que o estúdio lançará em 2004. O primeiro, Whizzard of Ow, estrelado pelo Coiote e pelo Bip-Bip, acompanha Looney Tunes: De Volta à Ação.
Redação Terra / Márcio Alexandre