Eldorado - Lituanos no Brasil é um enxuto documentário de 68 minutos que revela alguns aspectos de um dos povos europeus que foram atraídos à imigração no Brasil no começo do século 20, dentro de um obscuro projeto de "branqueamento" do país.
Não há dúvida de que, depois da abolição da escravatura, no final do século 19, traçou-se uma política neste sentido. O filme relembra, por exemplo, o empenho do governador carioca Miguel Couto para implantar uma legislação que impedisse negros, amarelos e judeus de chegar ao país.
E, no governo do presidente Washington Luiz, não foram poucas as iniciativas de atrair imigrantes europeus - e também japoneses - para trabalhar nas lavouras do café, numa mal disfarçada tentativa de contrabalançar a forte presença dos negros, agora libertos, na população brasileira.
O filme é uma parceria entre o cineasta brasileiro Fabiano Canosa e o lituano Julius Ziz.
Invadida várias vezes pelos russos e submetida a altos e baixos econômicos, a Lituânia foi um desses países onde a ilusão de um Eldorado nos trópicos estimulou a partida de milhares de pessoas rumo ao Brasil.
Calcula-se que, nos anos 20, cerca de 30.000 lituanos desembarcaram por aqui. A ilusão de um paraíso, porém, começava a desfazer-se ainda durante a viagem.
Não raro, os lituanos eram embarcados em navios precários, onde havia não mais do que um banheiro para cada grupo de 300 pessoas. Por conta disso, as mortes, especialmente as de crianças, contavam-se às dezenas.
A maioria desses lituanos aqui permaneceu e formou raízes. O cineasta Julius Ziz encontra alguns deles em São Paulo, mediante um recurso singelo: posta-se diante da Estação da Luz com um cartaz onde se lê, em sua língua: "Procuro lituanos". E encontra pelo menos um, que o guia até sua mãe, uma remanescente dos imigrantes dos anos 20 que o colocará em contato com outros membros da colônia.
Reuters