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| Clint Eastwood nas filmagens de Mystic River |
Um crime visto na sequência de abertura de Mystic River - Sobre Meninos e Lobos vai afetar - ou, melhor dizendo, contaminar - cada ação e reação do resto do filme.
"Consegui o melhor elenco do mundo", diz Eastwood
Clint Eastwood, cineasta que gosta de se propor desafios, fez um filme enxuto, bem feito e visualmente inteligente que vai instigar e dividir seus admiradores.
Mystic River pode ser visto como o trabalho em que Eastwood mais investiu desde o premiado com vários Oscar Os Imperdoáveis, mas falta a ele a profundidade e força do roteiro deste.
Como diretor, Clint Eastwood sempre desprezou floreios e enfeites cinematográficos. Seu estilo enxuto evoluiu para um minimalismo elegante em que a direção dos atores, o posicionamento das câmeras e a edição resultam numa visão do ser humano que é destituída de excessos, nada sentimental.
Como seu mentor, Don Siegel, Eastwood prefere trabalhar dentro de gêneros cinematográficos definidos, na esperança de transcender suas limitações, do que partir em direções ousadas e originais.
Escrito por Brian Helgeland, a partir de um romance de Dennis Lehane, o roteiro de Mystic River trata das repercussões de um abuso sexual infantil, tópico de importância vital e que encerra inúmeras possibilidades.
No entanto, o livro de Lehane é de ficção criminal, fato que acaba conduzindo o filme num rumo convencional. Eastwood e Helgeland não enfatizam o aspecto de mistério policial do material. Mesmo assim, o filme acaba focando os procedimentos policiais, desviando a atenção do espectador da rejeição contra o abuso infantil.
Os suspeitos
Três homens são marcados para sempre por um crime dessa natureza que acontece num bairro pobre de Boston.
O fato de Dave (Tim Robbins), quando ainda era um menino assustado, ter entrado no carro de dois predadores sexuais, enquanto seus amigos Jimmy (Sean Penn) e Sean (Kevin Bacon) não entraram, faz com que sua vida tome um rumo diferente das deles.
Os três voltam a encontrar-se anos mais tarde, a contragosto, em função de uma segunda tragédia: o assassinato da filha de Jimmy, Katie (Emmy Rossum).
Sean, que virou detetive de polícia, é chamado para investigar o crime, e não demora para que Dave se torne o suspeito principal.
Dave se esforçou para reconquistar seu equilíbrio e amor-próprio depois do que lhe aconteceu. Ele tem mulher, Celeste (Marcia Gay Harden), e filho, mas aparece transformado e maculado para sempre pela tragédia que marcou sua infância.
O período que passou cumprindo pena de prisão endureceu Jimmy, um ex-ladrão de temperamento violento que hoje tem uma mercearia de esquina, mas continua a andar na companhia dos pequenos bandidos do bairro.
Depois da morte de sua esposa, ele se casa outra vez, e sua nova mulher (Laura Linney) é uma pessoa de caráter quase tão forte quanto o dele.
Sean, dos três aquele que é menos bem caracterizado, patrulha as ruas com seu parceiro, Whitey (Laurence Fishburne). Sua mulher o deixou, não se sabe porque, mas continua a telefonar para ele diariamente, sem falar nada ao telefone.
Na noite em que Katie é morta, Dave volta para casa tarde, coberto de sangue. Ele diz a sua mulher que foi assaltado e pode ter matado o assaltante. Celeste se preocupa no dia seguinte, quando os jornais não publicam nada sobre uma morte não explicada.
Jimmy quer vingança e organiza sua própria investigação, com a ajuda dos pequenos bandidos locais. Enquanto isso, Sean e Whitey discutem se seu suspeito principal é Dave ou Brendan (Thomas Guiry), o rapaz que Katie namorava em segredo, sem seu pai saber.
Como é de praxe nos filmes de Clint Eastwood, o trabalho da equipe técnica é de primeira, especialmente a fotografia do diretor Tom Stern e a edição de Joel Cox.
Reuters