| Divulgação |
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| Cena do filme |
François Ozon é neste momento o enfant gaté (garoto mimado) do cinema francês. Ou seja, é um cineasta que faz o que bem entende e conta com produtores fiéis para tudo o que quer.
Seu sexto longa-metragem, Swimming Pool - À Beira da Piscina é um sintoma desse momento de sucesso a quem tudo pode se permitir - até alguma frivolidade.
Concorrente à Palma de Ouro em 2003, o filme foi recebido em Cannes com aplausos, mas também com alguma reserva da crítica.
No centro da história está uma escritora de suspense em crise de criatividade (Charlotte Rampling) e a filha mimada de seu editor (Ludivine Sagnier).
Trata-se de um divertimento. A trama policial brinca com a platéia o tempo todo. Para não entregar o jogo, é bom só dar um conselho: que o público, quando assistir ao filme, não acredite em nada, mas em nada mesmo, do que se vê à primeira vista. E que fique bem atento na sala até o final.
O longa-metragem brinca com o olhar, com as expectativas e com as sensações - ou seja, tudo o que se espera do cinema, que se pretende abertamente uma diversão, embora com algum grau de sofisticação.
Swimming Pool tem uma certa classe e um certo mistério ao falar de um crime, mas também capricha na criação literária e nas ilusões do cinema.
No entanto, tudo é muito ligeiro. O filme não mergulha nas águas profundas de uma Patricia Highsmith, inspiração assumida do diretor para compor a personagem de Charlotte Rampling.
No final das contas, é um tanto frívolo e por isso mais perto do risco de virar descartável do que filmes anteriores de Ozon -- como Sob a Areia ou até Oito Mulheres.
Ainda assim, o filme mantém sua dignidade e o roteiro é suficientemente esperto para não ofender a inteligência de ninguém.
Reuters