| Divulgação |
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| Cena do filme |
Incentivado pelos elogios que choveram sobre O Apóstolo, de 1997, o multitalentoso Robert Duvall volta a fazer as vezes de diretor, roteirista, astro e co-produtor em O Tango e o Assassino, filme que estréia no Brasil na sexta-feira.
Decidido a transpor sua paixão pelo tango argentino para a tela grande, Duvall criou uma história singular - mistura de suspense policial, romance movido pela dança e, em parte, estudo de personagens.
Essas partes diversas nem sempre se fundem à perfeição, mas a performance de Duvall é perfeitamente dimensionada e serve para unir todos os elos.
O personagem John J., de Robert Duvall, é sem dúvida interessante. Ele é um assassino de aluguel paranóico que perde a calma facilmente, mas ama com ternura a filhinha (Katherine Micheaux Miller) de sua namorada, Maggie (Kathy Baker).
Entre uma e outra morte encomendada por seu patrão, Frankie (Frank Gio), John costuma passar o tempo num salão de baile no Brooklyn, em Nova York.
Seu trabalho mais recente o leva a Buenos Aires, onde ele deve assassinar um general argentino da reserva.
Suas instruções para esse caso lhe são passadas por Miguel (Ruben Blades), que lhe explica que o general foi responsável pela morte de muitos inocentes, incluindo o filho de um casal de idosos que agora querem vingança.
Mas John J. não precisa de explicações para fazer seu trabalho. Ele só quer dar cabo do sujeito, receber seu pagamento e voltar para casa.
Infelizmente sua vítima adia inesperadamente sua volta prevista a Buenos Aires, e John J. se vê de repente com muito tempo e nada para fazer.
Certo dia ele entra por acaso num clube de tango de aparência simples, onde fica fascinado com os movimentos cativantes da bela Manuela (Luciana Pedraza), que o atrai para o misterioso e sensual mundo do tango.
É bonito ver alguém na fase da vida em que Duvall está mostrar sua paixão abertamente e sem reservas. No entanto, o equilíbrio delicado entre dança e armas de fogo frequentemente é perturbado por sequências de dança fantásticas que tendem a atrapalhar a progressão da trama.
Como vitrine da habilidade de Robert Duvall como ator, O Tango e o Assassino é ímpar. John J. é um homem durão que se caracteriza por sua vulnerabilidade e suas manias. E, mesmo que o personagem não se dê conta disso, ele também é bastante engraçado.
Em sua estréia no cinema, a argentina Luciana Pedraza mostra possuir uma presença na tela que é exótica e muito natural, na pele da sedutora professora de dança de Duvall.
Reuters