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Filmes
Encontros e Desencontros

Título original
Lost in Translation
Gênero Comédia,Drama,Romance
Ano 2003
País de origem Japão, Estados Unidos
Distribuidora UIP
Duração 105 min.
Classificação 14 anos
Língua Inglês, Japonês
Cor Colorido
Som Dolby Digital
Diretor Sofia Coppola
Elenco Scarlett Johansson, Bill Murray, Nao Asuka, Anna Faris
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Resenha
Ocidentais invadem Tóquio em Encontros e Desencontros
Divulgação
Scarlett Johansson em Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola
Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola, é um filme engraçado, doce e também amargo, que utiliza o deslocamento cultural como metáfora para descrever pessoas que ficaram deslocadas em suas próprias vidas.

O filme contém cenas impagáveis de humor de Bill Murray, performances finamente sintonizadas do ator com a bela Scarlett Johansson e um design visual e auditivo que cultiva um clima romântico e melancólico do começo ao fim.

Num trabalho que é apenas seu segundo longa, Coppola conseguiu criar um filme inteligente e reflexivo que combina humor com um toque comovente e verdadeiro raramente visto no cinema norte-americano.

Encontros e Desencontros é uma comédia originalíssima que vai conquistar platéias que vão muito além do público cativo do cinema de arte.

A história se desenrola em Tóquio, boa parte dela no hotel Park Hyatt Tokyo, que vira um casulo reconfortante para dois norte-americanos cuja ignorância cultural e linguística os mantêm sem contato com a cidade.

Eles passam o tempo no bar, restaurante, piscina e apartamentos do hotel, de vez em quando olhando pelas janelas do edifício muito alto para a paisagem de uma cidade que os intriga, mas principalmente os deixa perplexos.

Bob Harris (Murray) é um ator de cinema mal-humorado que está na cidade para filmar um comercial de uísque. Não apenas ele está sofrendo os efeitos do "jet lag" e da depressão por seu casamento em crise, como se encontra no meio de uma crise de meia-idade que o desanima, mas não o faz perder seu senso de humor.

Charlotte (Johansson), mulher de um fotógrafo que não lhe dá muita atenção (Giovanni Ribisi), vive um pesadelo semelhante.

Casada há dois anos, ela já se sente perdida na relação, sem poder participar da vida profissional de seu marido nem identificar o que quer da vida.

Quando se aventura na cidade, o que encontra é uma versão distorcida da modernidade ocidental. Quando procura o budismo, tudo o que vê é um templo cheio de sacerdotes entoando cânticos em japonês.

Aliás, a língua japonesa acaba sendo motivo de riso. Quando Murray recebe instruções detalhadas do diretor japonês do comercial, seu intérprete, confuso, as resume a: "Vire para a câmera, por favor" (e Coppola não inclui legendas, deixando o espectador tão confuso quanto o personagem).

Insônia

Bob e Charlotte se descobrem no bar, tarde da noite. Nenhum deles consegue dormir. Ambos isolados, acabam se tornando amigos. Quando seu marido parte em viagem de trabalho, Charlotte convida Bob para sair com ela e seus amigos japoneses. Os dois fazem a ronda dos clubes, karaokês, bares de striptease, residências particulares e casas de videogame.

Coppola enxerga na paisagem de Tóquio, iluminada a néon, uma sociedade distanciada de sua própria cultura. A noite é repleta de pessoas em busca de prazer, obcecadas por jogos, brinquedos e cultura pop norte-americana.

Somente quando Charlotte sobe num trem para Kyoto que ela consegue sentir o ambiente do Japão antigo, dos templos e jardins, casas de chá e pessoas vestindo quimonos.

O filme sugere a possibilidade de um relacionamento sexual entre Charlotte e Bob, mas Coppola se abstém, ciente não apenas da diferença de idade entre os personagens, mas também de que os problemas deles não podem ser solucionados com o sexo.

O papel cai como uma luva para Bill Murray. O homem exaurido de meia-idade que não vê desafios em seu horizonte vai pouco a pouco dando lugar a uma pessoa revitalizada pelo contato com outra alma deslocada.

Seu toque cômico enriquece o personagem com humor auto-irônico. Johansson transmite a solidão e a desilusão de Charlotte de maneira palpável.

Nas breves sequências das quais participa, Giovanni Ribisi cria a impressão de um homem para quem um momento de reflexão representa tempo perdido.

Anna Faris faz à perfeição o papel satírico de uma atriz jovem e superficial, presente numa coletiva de imprensa, que adora a própria bizarrice cultural que causa tanto espanto a Bob e Charlotte.

O diretor de fotografia Lance Acord confere ao néon gritante e aos interiores modernos uma espécie de pátina romântica. A trilha sonora produzida por Brian Reitzell a partir de temas musicais japoneses e outros do "dream-pop de Tóquio" aumenta o clima de uma cidade oriental que sucumbiu em grande medida à cultura ocidental.

Reuters





 
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