| Divulgação |
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| Cena do filme |
As tradições dos maoris sofrem mudanças sísmicas, mas com graça e beleza, em Encantadora de Baleias, a comovente adaptação feita pela roteirista e diretora Niki Cairo do romance popular de Witi Ihimaera.
O filme, que passou na Mostra de Cinema de São Paulo em 2003, é centrado na história de uma menina obrigada a desafiar seu avô para assumir a liderança em sua comunidade.
O longa-metragem traz uma atriz novata e fantástica no papel principal, Keisha Castle-Hughes.
Rodado em terras tribais em Whangara, na costa leste da Ilha Norte da Nova Zelândia, com a participação de anciãos e membros da tribo de Ngati Konohi, o filme transmite um respeito profundo por uma cultura totalmente alheia ao que conhece o espectador ocidental.
Co-produção neozelandesa e alemã, o longa recebeu prêmios do público nos festivais de Sundance, Toronto, Rotterdam e também São Paulo (prêmio do júri).
A bela e totalmente natural atriz novata Castle-Hughes, que tinha 11 anos quando o filme foi rodado, é Pai, uma garota inteligente e cheia de autoconfiança que é criada por seus avós (Rawiri Paratene e Vicky Haughton) em Whangara.
Desde seu nascimento sua vida é assombrada por uma tragédia: a morte de sua mãe ao dar à luz a ela e seu irmão gêmeo, que deveria ser o próximo chefe da tribo mas que também morreu no parto.
Seu pai entristecido (Cliff Curtis) escolhe seu nome em homenagem a Paikea, o legendário ancestral que chegou à atual Nova Zelândia nas costas de uma baleia.
Nova geração de maoris
O avô de Pai, Koro, respeita e conserva a tradição tribal pela qual a liderança deve passar de pai para filho primogênito, e, embora ele e Pai se amem profundamente, a decepção dele por não ter um neto os divide.
Dolorosamente ciente de ter quebrado a linha de sucessão desejada - "meu irmão gêmeo morreu, e eu não", diz ela -, Pai tira incentivo e bom senso de sua avó, uma personalidade forte.
A decepção de Koro começa com seus filhos. A geração de seus filhos é preguiçosa e se sente deslocada. Os garotos cresceram e viraram pais semi-ausentes.
O pai de Pai, que aprendeu a escultura tradicional dos maoris e virou artista plástico com carreira na Alemanha, se vê dividido entre duas culturas. Seu bem humorado irmão, Rawiri (Grant Noa), cresceu gordo e preguiçoso.
Determinado a encontrar um novo líder para seu povo, Koro começa a ensinar a garotos da aldeia o que é preciso para ser guerreiro.
Quando os pais dos meninos observam seus filhos cantando os cantos tradicionais, eles mostram sentir-se ao mesmo tempo orgulhosos e envergonhados. Os atores deixam isso claro sem qualquer diálogo.
O que move a história é uma conexão profunda com a terra e o mar. Este, alternadamente azul turquesa e cinza, é um personagem essencial na história, assim como o são as baleias que se comunicam com Pai.
Por meio de fotografia submarina belíssima, efeitos digitais e outros recursos, um grupo de baleias surge com efeito dramático na terceira parte da história, numa sequência que revela muito sobre os laços espirituais da comunidade.
Neste seu segundo filme (o primeiro foi Memory and Desire), Niki Caro conta uma história triunfal de maneira direta. Sua temática é clara, mas não cansa, e os elementos indígenas de Encantadora de Baleias ajudam o filme a superar sua estrutura, que segue uma fórmula fixa.
Reuters