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| Cena do filme |
Moça com Brinco de Pérola é uma exploração fictícia do mundo do mestre holandês Johannes Vermeer.
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Especial da 29ª Mostra Internacional de Cinema
Baseado no romance best-seller de Tracy Chevalier, o roteiro de Olivia Hetreed especula sobre quem é a garota que aparece no quadro Moça com Brinco de Pérola e por que ela aparenta estar ao mesmo tempo triste e achando graça de algo.
Estréia na direção cinematográfica do diretor de televisão Peter Webber, o filme também oferece ótimas lições sobre as técnicas e metodologia da pintura do século 17.
Com a ajuda de atuações inspiradas de Colin Firth e Scarlett Johansson (Encontros e Desencontros), o filme talvez agrade principalmente ao público do cinema de arte, mas é inegável que consegue como poucos penetrar na vida de um pintor e na fonte de sua inspiração artística.
O diretor de fotografia Eduardo Serra e o designer Ben van Os transformam cada quadro do filme em homenagem viva a Vermeer, usando a composição e iluminação do artista para captar o visual da Holanda em 1665.
Eles utilizam a famosa "luz do norte", que capta rostos e objetos em uma meia-luz calorosa que abre cenas domésticas comuns à beleza da cor e da forma.
Ainda adolescente, Griet (Scarlett Johansson) é obrigada a deixar sua família protestante para ir morar com a tumultuada família católica de Vermeer, em Delft, quando seu pai, pintor de azulejos, fica cego.
A casa é administrada por mulheres rígidas. A avarenta sogra de Vermeer, Maria (Judy Parfitt), nunca relaxa a vigilância sobre sua emotiva filha, Catharina (Essie Davis), perpetuamente grávida, sempre colocando no mundo mais bocas a alimentar. Há também sua neta traquinas e duas empregadas fofoqueiras.
No andar de cima, em seu estúdio, Vermeer (Firth) trabalha arduamente, mas em paz, com sua pintura. Ele não é prolífico - leva meses para completar cada tela encomendada, fato que dificulta a situação financeira da família.
Paixão platônica
Vermeer sente uma apreciação pelo trabalho da nova criada, filha de um artista, que ninguém mais na família manifesta.
Ele a ensina a comprar e misturar suas tintas, e ela o observa nas suas experiências com espaço e luz. E, à medida que cresce o interesse do pintor pela moça, também aumentam os ciúmes de sua mulher.
A jovem beldade atrai a atenção de dois outros homens: o rico Mestre van Ruijven (Tom Wilkerson), o patrono de Vermeer, e Pieter (Cillian Murphy), filho de açougueiro, que a corteja timidamente.
Percebendo as tensões existentes dentro da casa de Vermeer e desejando Griet ele próprio, o astuto van Ruijven tenta o pintor com uma encomenda sedutora.
Pede a ele que pinte Griet sozinha, fora das vistas de sua mulher. Sedenta pelo dinheiro, a sogra Maria autoriza o trabalho - e a relação de Vermeer com Griet - a seguir adiante.
O filme observa com sutileza a guerra psicológica que se instala na família e retrata a cidade agitada com animais perambulando soltos pelas ruas e o lixo espalhado pelos canais. E parece dizer que tudo isso contribuiu para a obra-prima resultante.
A inocência corajosa e inteligente de Griet, representada por Johansson, é contrabalançada pela admiração mundana e compassiva de Vermeer (Firth).
Em outra época e outro lugar, os dois teriam se tornado amantes. Mas naquele lugar e naquele tempo, as diferenças de classe, religião e educação impossibilitam essa saída. Apesar da tensão sexual evidente, as paixões permanecem no plano platônico e cerebral.
Reuters