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| Cena de The Village |
Como boa parte do trabalho anterior do diretor M. Night Shyamalan, A Vila remete a uma era anterior em termos de filmes de suspense, quando o que você não vê é mais crucial do que aquilo que está diante de seus olhos.
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O filme, visualmente expressivo, provoca arrepios no público com sua harmonia estranhamente perturbadora. Mas, ao contrário de O Sexto Sentido, sua revelação final pode acabar sendo branda demais para assustar a platéia, parte da qual pode até sentir-se trapaceada. O longa estréia no Brasil na sexta-feira.
Além de O Sexto Sentido, M. Night Shyamalan dirigiu Sinais, um filme sobre extraterrestres que arrecadou mais de US$ 400 milhões, e também Corpo Fechado, visto pela maioria da crítica como erro de cálculo do diretor, mas que acabou com bilheteria de US$ 249 milhões.
Shyamalan, também autor do roteiro de A Vila, leva o público para uma cidadezinha do século 19, em um cenário que não muda durante quase o filme inteiro.
Quase idílica, a vila se espalha por terras agrícolas férteis cercadas por uma floresta imponente. Os moradores do local formam uma comunidade utópica de pessoas trabalhadoras e tementes a Deus que vivem longe das "cidades", termo que usam para referir-se ao resto do mundo.
Eles têm um modo bizarro de falar que reúne toques de inglês do século 19 com sarcasmo típico do meio-oeste americano.
Existe um problema: ninguém nunca entra na floresta. Ela é habitada por seres perigosos que os moradores da vila mantêm à distância com a ajuda de um código de cores que exclui o vermelho e identifica a segurança no amarelo.
Tochas iluminam o perímetro da vila à noite, e um guarda noturno faz a vigília numa torre.
A morte do irmão de um dos líderes da vila leva o normalmente silencioso Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) a oferecer-se para atravessar as fronteiras em busca de medicamentos para uso em emergências futuras.
O chefe do conselho de líderes, Edward Walker (William Hurt), rejeita o plano, e a mãe de Lucius, Alice (Sigourney Weaver), não entende seu desejo de sair da vila.
Enquanto isso, a filha de Edward, Ivy (Bryce Dallas Howard), que é cega, corajosamente expressa seu amor pelo taciturno Lucius, que forma um contraste marcante com seu amigo Noah Percy (Adrien Brody), o bobo da vila.
Enquanto vai tomando forma o romance casto entre eles, a "trégua" entre a vila e os seres da floresta é quebrada. Sinais aparecem nas portas dos moradores, e cabeças de gado aparecem decepadas no campo. O medo se espalha pela comunidade.
Com o desenrolar da história, a pergunta que não quer calar passa a ser qual é, exatamente, o perigo que ameaça a vila. Ele está além dos limites da floresta, onde se pode ter vislumbres de algo que parecem espantalhos vermelhos vivos? Ou nas casas dos moradores, cujas caixas fortes trancadas contêm segredos do passado dos líderes da vila?
Ivy, a cega, acaba se tornando o centro emocional da história. Pelo próprio fato de ser cega, ela aprende a "enxergar" as emoções com seus outros sentidos. A jovem atriz, que é filha do diretor Ron Howard, confere coragem e ousadia ao papel, mas deixa sua vulnerabilidade transparecer quando alcança os limites de sua bravura.
Adrien Brody faz um jovem mentalmente instável e extremamente doce, enquanto Joaquin Phoenix é seu oposto exato, tão em controle de suas emoções que aparenta não tê-las. William Hurt é a força espiritual da comunidade, bondoso e tolerante, mas feroz em sua dedicação à vila.
Redação Terra