| Redação Terra |
![]() |
| Tom Hanks em O Terminal |
O Terminal, uma comédia cuidadosamente calibrada e ambientada num aeroporto, é um filme inesperado para algo feito por Steven Spielberg - e talvez seja por esse motivo que funciona tão bem.
Confira a galeria de fotos!
Veja o trailer, trecho e entrevistas
Com seu tom leve, o filme se aproxima de Prenda-me Se For Capaz. Mas sua parte final possui uma qualidade que lembra os trabalhos de Frank Capra, quando a bondade essencial de um homem comum vence a insensibilidade e a indiferença burocrática para aproximar pessoas da classe trabalhadora.
Num verão norte-americano feito de refilmagens, sequências e filmes inchados de efeitos especiais, O Terminal se destaca como uma comédia original e com um elenco de talento, liderado por Tom Hanks e Catherine Zeta-Jones.
Um aeroporto, com suas preocupações de segurança, vôos em atraso e ar geral de ansiedade, parece um ambiente pouco provável para uma comédia.
De fato, o espectador pode não perceber que está assistindo a uma comédia nos primeiros minutos do filme, que incluem um problema com um visto de entrada, um golpe de Estado revolucionário e a angústia de um homem que percebe que seu país está em chamas.
Pouco a pouco, porém, o roteiro de Sacha Gervasi e Jeff Nathanson (baseado em história escrita por Andrew Niccol e Gervasi) entra em foco: um terminal de aeroporto vai virar um microcosmo da experiência humana, e parte dessa experiência consiste em esperar... esperar... esperar.
Parte da "família"
Dando uma volta por cima fantástica depois de Matador de Velhinha, Tom Hanks representa Viktor Navorski, que chega a Nova York vindo do país fictício de Krakhozia, no leste europeu.
Mas, quando ele chega ao aeroporto JFK, seu país foi tomado pela violência política. Com isso, seu visto de entrada é cancelado, o Departamento de Estado americano se nega a reconhecer o novo governo, e todos os vôos para seu país são interrompidos enquanto os combates não param.
Viktor se vê um homem sem país, e isso cria um problema para o chefe de segurança do aeroporto, Frank Dixon (Stanley Tucci). Sem poder permitir que Viktor entre no país, mas não podendo deportá-lo, tampouco, Dixon o faz aguardar na sala de trânsito internacional até a guerra chegar ao fim. Essa espera temporária se prolonga por nove meses.
Viktor chega quase sem falar inglês, mas nem por isso ninguém no terminal procura um tradutor ou fala com ele em linguagem simples.
Pouco a pouco, porém, o estrangeiro tímido mas otimista se insinua na vida dos funcionários das lojas e da praça de alimentação do aeroporto, e todos encontram maneiras de comunicar-se com ele. Os funcionários, que num primeiro momento estranham esse estrangeiro, acabam por enxergá-lo como parte da "família".
O velho zelador Gupta (Kumar Pallana) se diverte olhando os passageiros escorregar sobre o piso molhado quando deixam de prestar atenção aos cones amarelos de aviso que ele posiciona estrategicamente.
O carregador Mulroy (Chi McBride) promove partidas de baralho para decidir a divisão de malas esquecidas por passageiros.
Sem raízes
O funcionário da praça de alimentação Enrique (Diego Luna) dá comida a Viktor em troca de sua ajuda para promover o romance de Enrique com a bela Delores (Zoe Saldana), funcionária da imigração, com quem Viktor fala diariamente na esperança de que ela resolva seu problema.
O agente da alfândega Ray (Barry Shakaba Henley) é solidário com Viktor, mas não consegue passar por cima da atitude de Dixon, que insiste em fazer tudo segundo a lei.
Mas o maior impacto de Viktor é sobre a comissária de bordo Amelia Warren (Zeta-Jones), que passa a vida fazendo malabarismos com seu cronograma para tentar encontrar-se com seu amante casado. Ela e Viktor se sentem atraídos um pelo outro em parte porque ambos, basicamente, não têm raízes.
O Terminal é uma meditação cômica sobre a espera. Tanto Viktor quanto Amelia usam bipes, eternamente à espera de chamados que nunca acontecem.
Para Viktor, uma ligação significaria a solução de seu problema burocrático. No caso de Amélia, seria um chamado dizendo que seu amante está disponível.
Mais tarde, quando descobrimos o que levou Viktor aos EUA no primeiro lugar, compreendemos que quem precisou esperar mais do que todos foi seu pai - 40 anos - para realizar um sonho que, ao final, apenas Viktor poderá concretizar por ele.
Reuters