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Filmes
Fahrenheit 9/11

Título original
Fahrenheit 9/11
Gênero Documentário
Ano 2004
País de origem Estados Unidos
Distribuidora Europa
Duração 122 min.
Classificação 12 anos
Língua Inglês
Cor Colorido
Som DTS Dolby SDDS Digital
Diretor Michael Moore
Elenco Michael Moore e George W. Bush
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Galeria de fotos Cenas de Fahrenheit 9/11
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Resenha
Fahrenheit é o filme mais fraco de Michael Moore
Divulgação
Cena do filme
Em Fahrenheit 11 de Setembro, Michael Moore abandona qualquer tentativa de parecer um documentarista.

No lugar disso, ele monta, a partir de fontes diversas, um conjunto polêmico e irado de argumentos contra o presidente dos Estados Unidos, a família Bush e a política externa da administração norte-americana.

Assista ao trailer
Veja fotos do filme
Saiba mais sobre a "guerra" entre Moore e Bush

Enquanto Roger & Me e Tiros em Columbine, seus trabalhos anteriores, eram buscas pessoais pela verdade, que analisavam um tema de ângulos diferentes e entrevistavam pessoas de opiniões totalmente divergentes, em Fahrenheit Moore repete a mesma mensagem desde a primeira tomada até a última.

Não existe discussão, não existe análise de fatos nem busca de contextualização histórica. Moore simplesmente quer culpar um homem e sua família pela situação na qual os EUA se encontram no Iraque.

O filme chegou em meio às revelações feitas por fontes bem informadas sobre Bush, como Richard Clarke e Paul O''''''''Neill, o tumulto criado pela comissão que investigou os fatos de 11 de setembro de 2001 e a impressão crescente de que o problema do Iraque não será resolvido no futuro próximo.

E o desentendimento muito público entre Michael Moore e Michael Eisner, presidente da Disney, que deixou Moore momentaneamente sem distribuidor, serviu para dar ainda mais visibilidade a Fahrenheit.

Assim, o filme deve atingir um público grande, mas a pergunta inevitável é: será que Moore pregará apenas ao coro dos já convertidos?

O filme é o documentário de maior sucesso da história.

Material passado?
Para mapear o cenário político norte-americano nos últimos três anos e meio, Moore é obrigado a depender principalmente de materiais colhidos por outras pessoas.

A afirmação de que a política saudita dos EUA tem sido determinada em grande medida pelos vínculos financeiros existentes entre a família Bush e membros da família real saudita - incluindo outro clã saudita, o dos Bin Laden - saiu em boa parte de House of Bush, House of Saud, de Craig Unger, a quem Moore entrevista no filme.

A obsessão da Casa Branca de Bush pelo Iraque no período imediatamente posterior ao 11 de setembro de 2001, apesar das provas avassaladoras de que a responsabilidade dos ataques era da Al Qaeda, vem do ex-czar do contraterrorismo Richard Clarke, em seu livro Against All Enemies.

A maioria das entrevistas mostradas em Fahrenheit saiu de programas de jornalismo das grandes redes de televisão ou do programa de Larry King na CNN.

Simplificando décadas de fracassos
O filme começa com a contestada eleição presidencial de 2000. Moore parte da premissa anti-Bush usual, segundo a qual a eleição foi roubada. Em seguida, ele caracteriza Bush como um caipira nos primeiros meses de sua presidência, passando 42 por cento de seu tempo de férias e caindo rapidamente nas pesquisas de opinião pública.

Depois veio o 11 de setembro. Moore transmite esse dia de infâmia de maneira comovente com uma montagem de som e visuais que evita mostrar imagens de aviões atingindo os edifícios ou do World Trade Center em queda.

No lugar disso, ouvimos o som do horror sobre uma tela em preto e, depois, vemos imagens de pessoas horrorizadas, chorando, olhando para o céu repleto de fumaça e escombros.

Moore relata a invasão do Afeganistão, a busca infrutífera por Osama bin Laden e o alegado esforço da administração para semear o medo na população norte-americana, tudo visando tornar o público mais disposto a apoiar a invasão do Iraque.

Mesmo que concordemos com todos os argumentos de Moore, o fato é que Fahrenheit 11 de Setembro simplifica décadas de fracassos da política externa dos EUA, atribuindo a culpa por tudo a uma família só.

Moore ignora fatos como o de que a política de armar e apoiar os rebeldes afegãos começou durante o governo de Jimmy Carter, ou de que o governo Clinton nunca lançou um esforço sério contra a Al Qaeda, mesmo após os atentados de 1998 contra as embaixadas norte-americanas na África oriental.

Reality-movie para a corrida presidencial
A violência iraquiana mostrada no filme é pior do que o que estamos acostumados a ver na televisão. Uma sequência em particular acompanha uma patrulha norte-americana na véspera de Natal, mas Moore não identifica quem filmou as imagens.

Como o diretor tem o hábito de aparecer diante da câmera sempre que está por perto, só podemos supor que ele próprio não filmou as imagens feitas no Iraque.

Mas ele edita as cenas de maneira a destacar o sofrimento dos iraquianos e a indiferença ou mesmo hostilidade dos militares dos EUA.

O filme contém apenas um caso das "emboscadas" de famosos que viraram uma das marcas registradas de Michael Moore. Ele aborda parlamentares quando estão deixando o Capitólio e tenta convencê-los a alistar seus filhos para combaterem no Iraque. Como já seria de se esperar, nenhum deles aceita.

Quando o filme mergulha em problemas relativos aos benefícios pagos a veteranos, à perseguição movida contra grupos pacifistas ou à tristeza de uma família que perdeu um filho, Moore simplesmente perde seu foco. São temas válidos, mas que não têm relação com as razões pelas quais os EUA estão no Iraque.

Na realidade, Moore parece estar lançando um novo gênero: um filme de realidade para ser usado num ano eleitoral. Os fatos e argumentos apresentados não diferem daqueles que se podem encontrar em comentários políticos ou em livros recentes sobre os mesmos temas.

A diferença é que o impacto do filme pode ser maior do que o de textos impressos. Assim, a verdadeira pergunta não é até que ponto Fahrenheit 11 de Setembro é ou não um filme bom - não há dúvida de que é o trabalho mais fraco de Michael Moore -, mas se o filme vai ou não ajudar a impedir a reeleição do presidente.

Renato Beolchi/Redação Terra





 
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