| Divulgação |
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| Cena do filme |
O quinto trabalho do cineasta italiano Silvio Soldini, o drama Queimando ao Vento, tem tudo para surpreender a grande platéia que admirou seu filme anterior, a comédia Pão e Tulipas (2000).
Queimando ao Vento competiu no Festival de Berlim em 2001.
Num registro intenso e sombrio, o novo trabalho do diretor adapta livremente o romance Ontem, de Agota Kristof (lançado no Brasil pela Editora Rocco), acompanhando a história de Tobias Horvath (Ivan Franek).
Ainda garoto, Horvath fugiu de um país do leste europeu e cresceu num orfanato na Suíça, tornando-se operário e desabafando à noite em seus diários traços de um passado surpreendente.
"Queimando ao Vento é talvez meu trabalho mais dramático e seguramente o mais poético e passional", revelou Soldini em entrevista.
"Creio que nesta profissão de cineasta há necessidade sempre de dar ouvidos àquilo que te apaixona ou a uma exigência sua daquele momento."
Para o diretor, não existe dificuldade em mudar a chave de comédia para drama em suas produções, como aconteceu com Pão e Tulipas e Queimando ao Vento.
"Sinto que posso fazer as duas coisas, mas creio que Pão e Tulipas seja uma comédia especial, não um tipo de humor como o que é feito na Itália."
O diretor contou que para fazer seu novo filme precisou rodar fora da Itália e com um elenco que não falava italiano, pois o protagonista do romance é do leste europeu.
"Este era um detalhe muito importante da história. A nacionalidade dele não era conhecida, mas eu precisava fazer uma escolha. Procurei em cinco países o ator certo, porque sentia que devia ser um intérprete formidável para segurar um papel muito forte. Se eu errasse na escolha do protagonista, tudo desabaria."
Sem entender a língua do ator
Depois de procurar o melhor intérprete para seu personagem na Hungria, Bulgária, Polônia e República Tcheca, Soldini finalmente o encontrou na França. O escolhido foi o tcheco Ivan Franek, e outros atores do país foram incorporados ao elenco, por causa do idioma.
"Pela primeira vez na minha vida me vi envolvido numa filmagem com atores que falavam uma língua que eu não conhecia", explicou.
"Mas foi muito bom, muito interessante, porque pude compreender que não há necessidade de entender o significado de cada palavra que é dita para trabalhar com um ator."
Para Soldini, a verdade é perceptível em qualquer língua, mas o entendimento fica mais fácil com cidadãos de países que usam uma expressão corporal muito intensa na comunicação verbal, como os italianos, brasileiros, franceses, tchecos e norte-americanos.
"No final, foi muito belo. Aliás, o fato de não saber verdadeiramente o que diziam depois de um tempo tornou-se fascinante", disse o diretor, que, para dar instruções aos atores que só falavam tcheco, precisou recorrer a um intérprete.
Soldini já trabalha em um novo projeto, uma comédia com a atriz Licia Maglietta, de Pão e Tulipas. É uma história com três protagonistas intitulada Agata e la Tempesta (Agata e a Tempestade).
Reuters