| Divulgação |
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| Cena do filme |
Meninas Malvadas é uma comédia teen sobre garotas no colégio brigando por meninos e por prestígio social. Mas o filme também tem outro lado, mais sério.
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A roteirista iniciante Tina Fey, roteirista chefe do programa Saturday Night Live, insere uma temática séria por trás das proezas e façanhas juvenis.
O roteiro é baseado num best-seller de Rosalind Wiseman sobre o poder das panelinhas no colégio e o papel das meninas dentro desses grupinhos fechados.
O resultado é uma comédia irônica e em alguns momentos até comovente, na qual as risadas às vezes nascem de situações incômodas. Meninas Malvadas faz jus a seu título.
Essa atitude toda, somada à atuação sutil da jovem atriz Lindsay Lohan, que volta a trabalhar com Mark Waters (que a dirigiu em Sexta-Feira Muito Louca), deve ajudar Meninas Malvadas a agradar em cheio a seu público-alvo: meninas adolescentes.
A história gira em torno dos papéis que as meninas desempenham no colégio, identificados no livro de Wiseman como os da "abelha rainha", suas ajudantes, a garota que assiste a tudo e se sente dividida, a mensageira e o alvo, entre outros.
Numa façanha notável e interessante, o filme consegue que nenhum desses papéis vire estereótipo. Os nerds que formam a turma dos "matematletas" não deixam de ser surpreendentemente bacanas.
As "Plastics" - três garotas que são alpinistas sociais perfeitas e especialistas em travar guerra psicológica - são realmente plásticas, ou seja artificiais.
Mesmo assim, o roteiro faz questão de não reduzi-las a caricaturas, mas as mostra como adolescentes que precisam enfrentar problemas reais de auto-imagem, valor próprio e medo do fracasso.
Para destronar a abelha rainha
Lindsay Lohan é Cady Heron, uma garota que não sabe nada sobre a vida social. Ela entra para um colégio de Chicago vinda diretamente da África, onde seus pais, zoólogos, até então a tinham ensinado em casa.
Com isso, Cady - e o próprio filme - pode comparar os comportamentos no campus, uma espécie de selva humana, ao dos animais da selva. De vez em quando os comportamentos dos estudantes realmente lembram os de animais.
Solitária, sem conhecer ninguém, num primeiro momento ela é "adotada" pelos párias sociais Janis (Lizzy Caplan) e Damian (Daniel Franzese).
Os dois curtem arte e desprezam os grupinhos fechados. Mas a beleza e ingenuidade de Cady atraem a atenção da "abelha rainha" Regina (Rachel McAdams) e suas seguidoras puxa-sacos, Gretchen (Lacey Chabertt) e Karen (Amanda Seyfried).
Os "párias" acham que é a oportunidade perfeita para destronarem a "abelha rainha". Eles convencem Cady a fazer de conta que gosta das Plastics e andar com elas até conseguir informação suficiente para poder usar contra elas.
Mas Cady, sem se dar conta do que está acontecendo, vira uma garota malvada, ela própria.
Terapia em grupo
Um dos grandes pontos fortes do filme é que ele consegue convencer o público a continuar ao lado de Cady em sua odisséia de autodescoberta.
Enquanto ela aprende a manipular pessoas e vai ficando malvada, o espectador precisa acreditar que sua bondade natural foi apenas temporariamente relegada ao segundo plano.
Lohan dá conta dessa transição sem dificuldade, enquanto a situação vai degringolando comicamente e a escola inteira desmonta em função de uma brincadeira.
O clímax é um pouco forçado, porém. Todas as garotas são convocadas a reunir-se no ginásio de esportes, onde enfrentam uma palestra e sessão de terapia de grupo dirigida por uma professora, a senhora Norbury (a própria Tina Fey).
O filme acaba transmitindo sua mensagem sem muita sutileza, mas consegue manter o registro cômico e nunca perde o realismo.
Reuters