| Divulgação |
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| Cena do filme |
A versão para o cinema do musical O Fantasma da Ópera, enorme sucesso de Andrew Lloyd Webber, conserva as letras e as músicas memoráveis do original, mas o filme não passa de uma pequena sombra da obra de teatro original dirigida por Harold Prince.
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Webber, evidentemente, conservou controle estreito sobre sua criação, atuando como produtor e colaborador no roteiro, ao lado do diretor Joel Schumacher.
Por esse motivo, não se refletiu muito sobre como transpor a peça de teatro para o cinema, deixando de fazer uma versão moderna e relevante para um público mais jovem.
Inspirado num romance de terror de 1911 de Gaston Leroux, Fantasma é a história de um gênio musical desfigurado que assombra o subsolo de um teatro de ópera parisiense.
Em segredo, ele ajuda a carreira de uma jovem cantora, mas o fato de ter metade do rosto desfigurado, protegido atrás de uma meia máscara, o obriga a viver escondido e a omitir seu amor pela corista.
O filme começa com um prólogo em preto e branco ambientado em 1919, quando o velho Visconde Raoul de Chagny compra uma caixa de música num leilão. Quando o órgão começa a tocar o tema do Fantasma, o filme volta atrás no tempo, para o teatro em plena agitação, em 1870, com cantores, figurinistas e o corpo de baile prontos para encenar a próxima grande produção.
A brilhante e bela atriz Emily Rossum faz o papel da jovem corista Christine Daae. Cantora de formação clássica que fez uma estréia belíssima em 2000 no pouco apreciado Coletora de Canções (Songcatcher), Rossum possui uma voz de pureza cristalina que transmite perfeitamente a inocência da amada do Fantasma.
E ela encara bem as mudanças de registro - confusa quando se vê no meio de uma disputa romântica entre o Fantasma e seu namorado, Raoul, e, mais tarde, encontrando a coragem necessária para opor resistência a seu mentor.
O filme, no entanto, tropeça feio com a chegada do ator escocês Gerard Butler, que faz o Fantasma. O papel geralmente é dado a um ator mais velho, já que o Fantasma teria sido o "anjo" de Christine desde a infância da moça.
Mas Butler tem quase a mesma idade de Patrick Wilson, que representa Raoul, namorado de Christine e que é seu amigo de infância.
A mudança talvez reflita a idéia equivocada de que um Fantasma mais jovem poderia atrair um público mais jovem, mas, na realidade, atrapalha a dinâmica do triângulo amoroso.
Muito pior é o fato de Butler não ser um cantor treinado. Ele consegue quebrar o galho, mas não possui a textura e riqueza vocal necessárias para fazer jus a algumas das melhores canções do filme.
Minnie Driver no papel da diva insuportável da história está divertidíssima, com falso sotaque italiano e ego gigantesco. Miranda Richardson está apropriadamente séria e calma como instrutora de balé que sabe mais do que quer deixar transparecer.
A pior ausência no filme é o clima de mistério e perigo. Quando o Fantasma magicamente transporta Christine até seu antro, passando pelas entranhas do teatro, o diretor de fotografia John Mathieson ilumina os corredores tão bem que o clima se torna mais de um passeio divertido do que de uma viagem ao coração das trevas. Há até um cavalo na cena. O que um cavalo poderia estar fazendo no subsolo?
A única grande mudança em relação à história original é a famosa cena em que o Fantasma faz um lustre enorme cair durante uma apresentação, que foi transposta para o final do filme, para acrescentar impacto ao clímax da história. A idéia é ótima - só que, com isso, o público não faz idéia, até o fim do filme, até que ponto o gênio louco se dispõe a ir para arrancar sua amada de seu rival.
No final, com a exceção dos momentos em que Emily Rossum está em cena, este Fantasma da Ópera não passa de um pálido show de efeitos visuais.
Reuters