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| Cena do filme |
Um anão herda uma estação de trem em Nova Jersey e faz amizade com uma artista e um vendedor de cachorro-quente. Você vai sair correndo de casa para ver esse filme? Provavelmente não, mas é essa toda a magia dos longas exibidos em festivais de cinema.
Trabalhos que jamais caberiam em formatos comerciais ou que se baseiam em argumentos solitários constituem pedras preciosas que só poderiam ser garimpadas em lugares como Sundance.
O Agente da Estação, que estréia em circuito comercial na sexta-feira, transcende qualquer sinopse. A história gira em torno do baixinho Finbar McBride (Peter Dinklage), mais conhecido pelas poucas pessoas que lhe são mais próximas como Fin.
Ele é alguém que resguarda sua privacidade a todo custo mas que, por conta de seu tamanho, constantemente se vê atraindo atenções indesejadas.
Diariamente Fin suporta as observações e piadas cruéis de estranhos. Na realidade, essas crueldades impessoais o levaram a isolar-se por trás de uma espécie de muralha de proteção, que o mantém a salvo do mundo externo.
A única paixão na vida de Fin é um prazer solitário: ele é fascinado por trens e trabalha numa oficina dedicada a eles. Quando o dono da loja morre, Fin se vê desempregado, mas beneficiário do testamento de seu antigo patrão. Ele herda uma pequena estação de trem na zona rural de Nova Jersey.
Fin deixa o santuário que era a oficina e parte para tentar isolar-se em seu novo mundo. Ele viaja até a estação de trem e se instala ali.
Dormindo no sofá e usando apenas as roupas que carrega em sua mala pequena, tudo o que ele quer é que lhe deixem em paz. Infelizmente, porém, mesmo no meio do campo há pessoas que vêm bater à sua porta.
Fin torna-se alvo de atenções de um amigável vendedor de cachorro-quente (Bobby Cannavale) que se afeiçoa a ele, como se fosse uma criança que encontrou um bicho de estimação.
Mas o bom humor amalucado do vendedor deixa Fin ainda mais irritado, e ele se isola ainda mais dentro de sua casca.
Mesmo quando caminha por uma estrada isolada no campo, não consegue fugir das pessoas: quase é atropelado por uma motorista ineficiente, a artista distraída Olivia (Patricia Clarkson), que se encontra sob o efeito do sofrimento provocado por uma separação conjugal. Os dois acabam virando amigos.
A narrativa, alimentada por acontecimentos pequenos e apoiada sobre necessidades humanas reais, magicamente vira uma história de amizade e apoio.
Fin acaba descobrindo que, para ser solitário, não é preciso suportar a solidão: que o alimento emocional garantido por amigos verdadeiros é o melhor sustento para uma pessoa que sente a necessidade de viver só.
A flexibilidade e sutileza com que o diretor Tom McCarthy desenrola a história são tão grandes que é apenas depois de assistir ao filme que você vai compreender sua lição de sabedoria.
Enquanto assistimos a ele, tudo o que nos interessa são os três amigos improváveis cuja amizade é ao mesmo tempo comovente e inspiradora.
Delicado e sutil, O Agente da Estação é um filme que inspira e anima, em grande medida graças à força de seus atores, o mais importante dos quais é Dinklage, que, no papel do anão solitário, deixa transparecer todo o lado sombrio do personagem.
Patricia Clarkson, como a artista problemática, colore sua performance com toda uma paleta de emoções conflitantes, mas compreensíveis. Cannavale é cativante como o vendedor ingênuo, um sujeito simples, mas dotado de coração de ouro.
As contribuições técnicas em nenhum momento ganham força maior do que o poder da própria história. Nada é exagerado; a simplicidade evoca seu poder considerável. A trilha sonora de Stephen Trask e a fotografia de Oliver Bokelberg conferem uma dimensão ainda maior a este filme cativante.