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| Cena do filme |
O longa Lost Zweig, dirigido por Sylvio Back (Aleluia Gretchen), pinta um retrato dos últimos dias de vida do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942) e sua mulher, que se suicidaram no Rio de Janeiro, pouco depois da terça-feira de Carnaval em 1942. No Brasil, Zweig ficou mais conhecido como o autor do livro Brasil, O País do Futuro.
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O roteiro foi escrito pelo diretor e Nicholas O'Neill, baseado na biografia de Zweig Morte no Paraíso, do jornalista Alberto Dines. O assunto já rendera a Back um documentário para a TV, Zweig: A Morte em Cena. A ação transcorre entre o domingo de Carnaval e a segunda-feira da semana seguinte.
Zweig (o alemão Rüdiger Vogler) veio ao Brasil ao lado de sua segunda mulher, Lotte (Ruth Rieser, premiada por esse trabalho no Festival de Brasília, em 2003), em 1941, fugido do nazismo que queimava livros seus em praça pública. Esta foi sua segunda viagem ao país. A primeira vez fora em 1936, quando escrevia um livro sobre Américo Vespúcio.
Lost Zweig já começa com o escritor extremamente debilitado emocionalmente. Seu maior objetivo é trazer para o País diversos amigos judeus que são perseguidos na Europa. Para isso, ele precisa da ajuda de Getúlio Vargas (Renato Borghi), que por sua vez o pressiona a escrever biografias de brasileiros ilustres.
Zweig se vê encurralado, negando-se a prestar favores a um ditador para livrar judeus de outro, no caso, Hitler. Durante a maior parte do tempo, o roteiro calca-se nesse conflito. Cada vez mais consumido, o escritor vê no suicídio uma forma de protesto, uma resistência. Mas não pretende fazê-lo sozinho. Para isso, convence também a sua mulher a se matar.
Acompanha-se então os últimos dias dos Zweig. O casal faz coisas banais, como sair com os amigos, almoçar com Vargas e ficar junto, sem dar indícios aos outros do que está por vir.
Um problema de Lost Zweig é que o longa é falado quase que inteiramente apenas em inglês ¿ mesmo os personagens brasileiros não falam em sua língua entre si. O diretor alega que chegou a pensar em fazer o filme em alemão (língua materna do escritor), mas não encontrou intérpretes à altura do desafio.
Dessa forma, tudo soa estranho, por exemplo, como ver uma vendedora de selos se comunicando facilmente em inglês com o escritor exilado. O tom excessivamente didático e solene também só contribui para afastar o público dos personagens, que parecem viver numa redoma de vidro.
Além disso, Lost Zweig nunca incita discussões de temas que seriam pertinentes, como o trabalho do artista exilado, a relação entre a arte e o ambiente.
Reuters