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 Tartarugas Podem Voar

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Cena do filme Foto: Divulgação
Cena do filme Foto: Divulgação

Crianças mutiladas ganham a vida desarmando minas terrestres que vendem a um intermediário, que, por sua vez, ganha a vida vendendo as minas à ONU. É essa a imagem da luta pela sobrevivência num campo de refugiados curdos pouco antes da invasão americana do Iraque, documentada no filme Tartarugas Podem Voar.

Assista ao trailer

O cineasta Bahman Ghobadi faz um retrato doloroso de uma tribo minúscula profanada pelos seguidores violentos de Saddam Hussein, enquanto aguarda a invasão dos soldados norte-americanos. Mas o filme não é mero folheto político ou um documento descritivo de uma situação distante.

O longa-metragem foi vencedor do Hugo de Prata do Festival Internacional de Cinema de Chicago. O diretor fez também Tempo de Embebedar Cavalos e Exílio no Iraque.

O filme pode atrair um público atento simplesmente por seu tema e pela maneira como reafirma a capacidade humana de sobreviver à crueldade extrema.

O campo de refugiados parece um lugar saído do inferno. Numa paisagem árida e rochosa, as barracas são montadas entre crateras, tanques de guerra destruídos e cartuchos de munição.

Mais estranho ainda é que em meio à imundície e à miséria geral, se vêem peças de equipamento de alta tecnologia.

Destas, a mais importante é a antena parabólica que um menino de 13 anos (Soran Ebrahim) conseguiu no mercado negro. O garoto pensa que, tendo acesso aos noticiários norte-americanos transmitidos por cabo, os moradores do acampamento poderão descobrir o que vai acontecer com eles.

O fato de ele tentar encontrar "a resposta" quanto ao destino deles o eleva a uma posição de poder dentro do campo. Apelidado de Parabólica, ele preenche um vazio de liderança num lugar onde os líderes, que parecem da Idade da Pedra, nem sequer sabem o que são os Estados Unidos ou o que está acontecendo em seu próprio país.

Animadas pela coragem de Parabólica, as crianças do campo conseguem sobreviver desarmando minas terrestres. Muitas delas, como o próprio Parabólica, não têm família nenhuma. Seus pais ou parentes foram assassinados por Saddam Hussein, ou então, como é o caso de uma garota, suas vidas emocionais foram marcadas para sempre pela devastação provocada pelo Exército Republicano.

Embora sejam rodadas com equipamentos mínimos, os visuais de Ghobadi são impressionantes: minas terrestres não detonadas, peças de artilharia danificadas, barracas marcadas pelo vento e ferramentas gastas dão a impressão de ter sido desenterradas de diferentes eras de terrorismo.

O fato de o campo de refugiados ser deste mundo é a parte mais assustadora da história.

Graças à fé infantil de Parabólica nas notícias vindas do céu, que ele acredita que irão salvar a todos eles, as crianças do campo conseguem ganhar forças e resistir para sobreviver por mais um dia.

Por meio de sua engenhoca maluca, Parabólica lhes possibilita a esperança de que alguma coisa mágica possa acontecer algum dia: por exemplo, tartarugas poderão voar, ou, o que seria ainda mais improvável, eles algum dia poderão viver em segurança.

 
Ficha Técnica
Titulo original Lakposhta Ham Parvaz Mikonand
Gênero Drama,Ficção,Aventura
Ano 2004
País de origem Irã
Duração 98 min.
Cor Colorido
Diretor Bahman Ghobadi
Elenco Avaz Latif, Soran Ebrahim, Saddam Hossein Feysal
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