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 Querido Frankie

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Cena do filme Foto: Divulgação
Cena do filme Foto: Divulgação

A roteirista escocesa Andrea Gibb mostra todo seu talento com Querido Frankie, um filme belíssimo que - como AfterLife, sua obra que fez sucesso no Festival de Cinema de Edimburgo - traz personagens que enfrentam situações duras em seu cotidiano e então, de repente, precisam encarar uma dificuldade que eles próprios criaram.

Assista ao trailer

A diretora novata Shona Auerbach é fotógrafa de sucesso em comerciais. Em Frankie, porém, ela deixa esse mundo de lado e mergulha num drama humano profundamente sentido e lindamente filmado.

O filme convence também por seus aspectos geográficos e navais e, com a Miramax International à frente do projeto, tem tudo para dar certo em seu percurso pelos cinemas mundiais.

Emily Mortimer e Jack McElhone, ambos vistos pela última vez em Jovem Adam, agora são mãe e filho vivendo na cidade portuária de Greenock, para onde fugiram para escapar das garras do ex-marido dela.

O garoto, Frank, é surdo e mal consegue falar, mas não nasceu assim. Foi "um presente de papai" como diz a mãe, Lizzie. Mas ele é um menino muito inteligente e cheio de vida. Além disso, possui tranquilidade e determinação, qualidades que lhe permitem tornar-se amigo de um garoto arrogante sentado a seu lado na sala de aula e que rabisca "def boy" (menino surdo) sobre a carteira. Sorrindo, Frankie corrige sua ortografia (para "deaf").

Frankie não tem conhecimento dos temores de sua mãe. Tudo o que ele gostaria é que ela e ele pudessem se fixar em algum lugar por mais tempo. Lizzie lhe disse que seu pai é marinheiro de um navio chamado Accra, e Frankie escreve para ele constantemente e acompanha o percurso do navio num grande mapa na parede. O que ele não sabe é que suas cartas só chegam até a mãe, que lhe escreve de volta como se fosse o pai.

Tudo vai bem até o dia em que eles ficam sabendo que um navio chamado Accra está a caminho de Greenock. O amigo de Frankie aposta com ele que seu pai não vai querer vê-lo. Frankie não pode ignorar a aposta, e sua mãe se vê diante de um enorme dilema.

É quando entra em cena um marinheiro escocês alto e moreno (Gerard Butler). Entretanto, nas mãos seguras de Gibb e Auerbach, esse personagem não é exatamente o homem sem nome e sem história que Lizzie gostaria que fosse. Ele se faz passar pelo pai de Frankie, mas o engodo acaba gerando mais complicações.

Com todos esses ingredientes, o potencial de sentimentalismo meloso da história é grande - mas o filme não tem nada de melodramático.

A beleza de Emily Mortimer é mostrada com discrição. Ela e todo um elenco coadjuvante de primeira linha, incluindo Mary Riggans como sua mãe e Sharon Small como sua nova amiga, tornam os personagens profundamente convincentes.

Jack McElhone brilha na tarefa difícil de atuar como deficiente, e em nenhum momento dá um passo em falso. Gerard Butler (de Lara Croft Tomb Raider ¿ A Origem da Vida) minimiza sua presença de astro, fazendo o papel de um homem dotado de força e mistério discretos.

O filme é repleto de pequenos momentos de ternura, insight e sabedoria, como, por exemplo, quando Lizzie diz que pensou que Frankie desistiria de escrever para seu pai, mas que ficou feliz por ele não tê-lo feito. "É a única maneira que tenho de ouvir sua voz", diz ela.

 
Ficha Técnica
Titulo original Dear Frankie
Gênero Drama,Ficção
Ano 2004
País de origem Reino Unido
Duração 102 min.
Cor Colorido
Som DTS Dolby SDDS Digital
Diretor Shona Auerbach
Elenco Emily Mortimer, Gerard Butler, Sharon Small, Jack McElhone
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