Existem poucos animais no mundo mais fotogênicos do que os camelos, com seus olhos grandes e expressivos, seu andar cômico e desajeitado e suas corcovas desenxabidas.
Camelos retrata, de maneira semi-encenada, semidocumental, o repúdio de uma mãe camelo por seu filhote branco recém-nascido. O filme inclui um elenco humano coadjuvante formado por pastores nômades da Mongólia.
Os diretores estudantes Byambasuren Davaa e Luigi Falorni levaram suas câmeras para o deserto da Mongólia, onde esperavam captar um ritual musical antigo feito para convencer mães camelos "desnaturadas" a cuidar de seus rebentos.
Eis que eles acertaram em cheio, quando a mãe camelo que é a personagem principal do filme, um animal teimoso chamado Ingen Temee, dá à luz num parto difícil um filhote branco que ganha o nome de Botok e que ela imediatamente opta por ignorar, apesar dos esforços patéticos dele para mamar.
A rejeição da mãe camelo é mal recebida por seus donos, uma família simpática de pastores que inclui quatro gerações. Apesar das diferenças culturais evidentes, vemos a família passando pelo tipo de crise que afeta famílias em todo o mundo, como, por exemplo, quando uma criança implora a seus pais um televisor.
Para convencer a mãe camelo pouco maternal a dar atenção a seu filhote, os pastores chamam um violinista para realizar o ritual tradicional, que exerce o efeito desejado.
O final feliz não estaria deslocado num filme da Disney, e seria preciso um público muito endurecido para se conservar indiferente.
A narrativa arrastada não justifica o tempo de duração do filme, e algumas das sequências obviamente encenadas envolvendo a família de pastores irritam por parecer melosas.
Apesar disso, Camelos Também Choram é inegavelmente simpático, e a combinação de exotismo do ambiente e história graciosa, capaz de agradar às crianças, deve garantir ao filme uma sobrevida longa nas locadoras.


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