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| Cena do filme |
A proposta mais maluca até agora para comédias sobre trocas de sexo veio dos irmãos Wayans: dois agentes negros do FBI se disfarçam, fazendo-se passar por garotas brancas.
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As Branquelas não apenas troca raças e gêneros, mas também brinca com questões de classe, sexo, etiqueta, alta sociedade e brigas inacreditáveis entre mulheres.
Dispostos a praticamente qualquer coisa para arrancar uma gargalhada da platéia, o diretor Keenen Ivory Wayans e seus colegas conspiradores -- seus irmãos, os co-roteiristas e atores Shawn e Marlon - experimentam de tudo para ver o que vai "colar" com o público. Resultado: muita coisa cola, sim.
É uma comédia de situações e esquetes que explora estereótipos até mais não poder e não hesita em momento algum em emprestar elementos de filmes muito melhores, que variam de Quanto Mais Quente Melhor a Tootsie.
Num momento em que estão em cartaz comédias "brancas" como Com a Bola Toda e O Terminal, esta comédia urbana - que, na verdade, tem mais atores brancos do que negros - deve funcionar como contrapeso inteligente.
Seja como for, é um filme muito mais inteligente do que a série Todo Mundo em Pânico, também dos irmãos Wayans, de modo que as perspectivas são promissoras.
Shawn e Marlon Wayans representam dois irmãos, ambos desajeitados agentes do FBI, Kevin e Marcus Copeland, que possuem talento para disfarces, mas nenhum para prender bandidos.
Mais ou menos a única coisa que seu chefe (Frankie Faison) confia que possam fazer direito é escoltar duas herdeiras socialites, Brittany e Tiffany Wilson (Maitland Ward e Anne Dudek).
As duas são potenciais alvos de um sequestro, que deverá acontecer durante o fim de semana, em um baile de debutantes no elegante balneário de The Hamptons.
Pense nas Irmãs Hilton
Uma sequência hilária envolvendo um cão mimado e um acidente de trânsito deixa as irmãs Wilson sem condições de ir ao baile. Os irmãos decidem passar-se por elas e ir em seu lugar.
Depois de mergulharem em camadas de maquiagem, perucas, máscaras e roupas, eles começam de fato a falar e parecer-se com as duas loiras tolinhas que estão representando (pense nas irmãs Hilton).
Dessa maneira, partem para The Hamptons, onde Brittany e Tiffany encontram suas odiadas rivais, Heather e Megan Vandergeld (Jaime King e Brittany Daniel), e suas melhores amigas (Busy Philipps, Jennifer Carpenter e Jessica Cauffiel).
A suposta trama percorre uma série de situações que destacam pontos de vista diferentes - brancos x negros, homens x mulheres - com relação a questões como música, moda, compras, engordar/emagrecer, dançar, namoro, alpinismo social.
A lógica vai para o espaço, e muitos personagens que deveriam ser inteligentes - por exemplo, uma jornalista de TV que atrai a atenção de Kevin/Brittany - precisam parecer burros para que a farsa funcione.
Em papéis que conceberam para eles próprios, Marlon e Shawn Wayans fazem garotas branquelas bastante convincentes. Mas é preciso consultar um programa para lembrar qual deles/as é Tiffany ou Brittany. Marlon possui uma fala, talvez a mais engraçada do filme, que só pode ter graça se dita por um negro que está se fazendo passar por branca.
Merecem elogios os maquiadores Greg Cannom e Keith Vanderlaan, que conseguiram transformar dois negros magros em mulheres brancas e sensuais. E o diretor de fotografia Steven Bernstein, que consegue nos convencer que Vancouver no outono é The Hamptons no verão.
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Reuters